Greening recebe investimento de R$ 90 milhões em pesquisa para enfrentar principal praga da citricultura global
Piracicaba inaugura centro de pesquisa para enfrentar a praga que ameaça a citricultura
Um novo centro de pesquisa foi inaugurado em Piracicaba, com o objetivo de combater o greening, a principal praga da citricultura mundial. Este projeto é fruto de uma colaboração entre universidades, fundações e o governo do estado de São Paulo, que destinará R$ 90 milhões ao longo de cinco anos para pesquisa, transferência de tecnologia e educação.
O greening é uma doença causada por uma bactéria e transmitida pelo inseto psilídeo Diaphorina citri, conhecido como cigarrinha. Os sintomas incluem folhas amareladas e flores secas, afetando severamente a qualidade e a produção das laranjas. Desde 2004, essa praga vem impactando os pomares brasileiros, especialmente no estado de São Paulo.
O novo acordo, formalizado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), visa integrar 19 instituições e 76 departamentos científicos de sete países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália. Essa colaboração internacional é essencial para desenvolver estratégias eficazes no combate ao greening.
Recentemente, um levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) revelou que a região de Limeira (SP) é a mais afetada pela doença, com uma incidência que aumentou de 73,87% em 2023 para 79,38% em 2024. O aumento da temperatura e os prejuízos nos pomares têm refletido nos preços das frutas, impactando tanto produtores quanto consumidores.
Na propriedade de Lucas Eduardo Boschiero, por exemplo, 80% das laranjas estão infestadas pelo greening, obrigando o produtor a buscar alternativas em outros estados para suprir a demanda. Os preços da fruta também subiram drasticamente, com laranjas destinadas à indústria passando de R$ 0,80 para R$ 2, e as destinadas ao mercado varejista aumentando de R$ 1 para R$ 3 por quilo.
A situação é crítica, e o impacto econômico se estende até os restaurantes, que agora enfrentam custos mais altos devido à necessidade de adquirir frutas de regiões mais distantes. Com isso, a luta contra o greening se torna uma prioridade não apenas para os citricultores, mas para toda a cadeia produtiva envolvida.
