Xi e Putin reafirmam relação sólida em meio a desafios globais

Compartilhe essa Informação

Xi Jinping e Vladimir Putin reafirmam parceria estratégica em meio a crises globais.

Os presidentes da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, destacaram a força de sua relação bilateral em um encontro realizado no dia 20, em Pequim. A reunião ocorreu em um contexto de crescente tensão internacional, menos de uma semana após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China.

Durante o encontro, Xi enfatizou a importância da confiança política e da coordenação estratégica entre os dois países, afirmando que essa relação resistiu a diversas provações. Putin, por sua vez, elogiou a parceria, destacando que ela alcançou um “nível sem precedentes”, especialmente no âmbito econômico, apesar dos desafios externos.

A reunião abordou questões críticas que afetam diretamente ambos os países, como as hostilidades no Golfo Pérsico, o conflito em curso na Ucrânia e as tensões no comércio e fornecimento de combustíveis. A declaração conjunta emitida pelo Kremlin enfatizou a urgência de retomar o diálogo e as negociações no Oriente Médio.

Os líderes concordaram que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã constituem uma violação do direito internacional, refletindo a preocupação mútua com a estabilidade regional.

‘Fornecedor confiável’

A tensão no Golfo Pérsico se destacou na agenda, assim como a visita de Trump à China, que não resultou em grandes avanços. Putin e Xi se reunirão novamente durante a tarde, com um encontro informal que pode se estender, conforme indicado por assessores do Kremlin.

A declaração conjunta também expressou a visão positiva da Rússia sobre a postura imparcial da China em relação à guerra na Ucrânia. A China, dependente do comércio internacional e de recursos energéticos do Golfo, observa com atenção os desdobramentos da situação.

Para Putin, o conflito no Oriente Médio representa uma oportunidade para a Rússia, que se posiciona como um fornecedor confiável de recursos. Ele destacou a importância do projeto do gasoduto “Força da Sibéria 2”, que é vital para a exportação de hidrocarbonetos russos, especialmente após a perda de mercados na Europa.

Entretanto, a implementação desse projeto enfrenta atrasos. Embora Moscou e Pequim tenham alcançado alguns avanços, um acordo definitivo ainda não foi firmado, conforme informações do porta-voz do Kremlin.

China, cliente fundamental dos combustíveis

O encontro foi marcado por um caloroso cumprimento entre Xi e Putin, que se trataram como “velhos amigos”. A recepção incluiu honras militares e manifestações de apoio, semelhante à recebida por Trump, mas com um tom mais afetuoso.

Xi Jinping procura posicionar a China como um pilar de estabilidade em um cenário global conturbado, enquanto ambos os países se opõem a uma ordem mundial dominada pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais, reforçando sua aliança com a Coreia do Norte.

Os presidentes assinaram documentos que estabelecem cooperação estratégica, incluindo projetos de infraestrutura e desenvolvimento urbano, além de prorrogar um tratado de boa vizinhança e um regime de isenção recíproca de vistos.

Putin convidou Xi a visitar a Rússia em 2027 e confirmou sua participação na cúpula da Apec, que ocorrerá em novembro na China. Os laços entre os dois países se fortaleceram significativamente desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, com o volume de comércio bilateral atualmente dobrando em relação a 2020.

Mais de 70% das importações chinesas da Rússia são compostas por combustíveis minerais, principalmente petróleo. As exportações de petróleo bruto russo para a China aumentaram em 30% desde 2022, impulsionadas por sanções ocidentais. Até o final de 2025, a China se consolidou como a principal compradora de petróleo bruto e carvão russos, além de ser a segunda maior importadora de gás transportado por gasoduto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *