Fifa anuncia o fim dos álbuns de figurinha da Copa do Mundo
FIFA encerra parceria de quase 60 anos com a Panini e firma novo acordo com a Fanatics.
A FIFA anunciou que, a partir de 2031, os álbuns de figurinhas produzidos pela Panini deixarão de ser os colecionáveis oficiais da Copa do Mundo. A entidade firmou um novo acordo global com a Fanatics, uma empresa norte-americana que assumirá os direitos comerciais dos itens colecionáveis relacionados aos torneios organizados pela federação.
Essa mudança marca o fim de uma das relações mais duradouras na história do futebol moderno. A parceria entre a FIFA e a Panini teve início antes da Copa do Mundo de 1970, no México, e os álbuns de figurinhas se tornaram uma parte essencial da cultura das Copas do Mundo.
O primeiro álbum oficial da Copa, produzido pela Panini, foi lançado em 1970. Desde então, diversas gerações de torcedores têm colecionado figurinhas de jogadores, seleções e símbolos das Copas, tornando essa atividade uma tradição entre os fãs de futebol.
Com o passar dos anos, os álbuns deixaram de ser produtos voltados apenas para crianças. Eles passaram a atrair a atenção de colecionadores esportivos, e edições antigas se tornaram itens raros e valiosos. Um álbum completo da Copa de 1970, por exemplo, foi leiloado por mais de 10 mil libras em 2017 no Reino Unido.
A parceria entre a FIFA e a Panini se encerrará após a Copa do Mundo de 2030, que celebrará o centenário do torneio.
A Fanatics, nova parceira da FIFA, é uma das empresas mais influentes no mercado esportivo global. Fundada nos Estados Unidos, a companhia se tornou um gigante bilionário, especializada em produtos licenciados e colecionáveis digitais.
A empresa mantém acordos comerciais com algumas das maiores ligas do mundo, como a NBA, NFL e Premier League, além de parcerias com clubes, atletas e federações esportivas em diversas nações.
Nos últimos anos, a Fanatics tem investido no setor de cards premium e itens colecionáveis de alto valor. Em 2022, adquiriu a tradicional fabricante de cards esportivos Topps por cerca de 500 milhões de dólares, ampliando sua presença em um mercado antes dominado por marcas históricas.
A estratégia da Fanatics difere da abordagem popularizada pela Panini. Enquanto os álbuns da Copa sempre tiveram um apelo popular e preços acessíveis, a Fanatics foca em linhas premium, edições limitadas e produtos voltados ao público colecionador.
Nos mercados americano e europeu, a empresa é conhecida por comercializar:
- Cards raros autografados;
- Caixas colecionáveis de edição limitada;
- Produtos exclusivos ligados a atletas;
- Memorabilia oficial de alto valor;
- Itens digitais e colecionáveis virtuais.
Gianni Infantino, presidente da FIFA, comentou sobre a parceria, destacando a inovação que a Fanatics traz para o mercado de colecionáveis esportivos, proporcionando aos fãs novas formas de se conectar com seus times e jogadores favoritos. Ele também enfatizou que a FIFA busca globalizar o engajamento dos fãs através de seu portfólio global de torneios, criando uma nova fonte de receita que será reinvestida no futebol.
Alguns produtos da Fanatics podem custar centenas ou até milhares de dólares, especialmente no mercado de cards raros de basquete, beisebol e futebol americano. Essa nova parceria gerou preocupações entre torcedores, que temem que os álbuns de figurinhas da Copa se tornem mais caros e menos acessíveis após a saída da Panini.
Especialistas do setor, no entanto, acreditam que a FIFA está se movendo em direção a um mercado mais lucrativo, focando em colecionáveis digitais, experiências online e itens premium voltados ao público adulto.
