Governo gaúcho avalia medidas diante da confirmação de fenômeno El Niño intenso para o próximo semestre

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Reunião define estratégias para enfrentar fenômeno climático “El Niño” no Rio Grande do Sul.

Uma reunião entre o governo do Rio Grande do Sul e a Defesa Civil Estadual foi realizada para discutir os prognósticos climáticos para os próximos meses. O evento, que ocorreu na quarta-feira (20), abordou os riscos de impactos meteorológicos extremos devido ao fenômeno climático “El Niño”, previsto para se intensificar no início da Primavera, em setembro.

Novos dados indicam um aquecimento acelerado do Oceano Pacífico, elevando para 83% a probabilidade de que a temperatura naquela região alcance de 1,5°C a 2°C acima da média. Se essa projeção se confirmar, será um evento de intensidade semelhante ao “El Niño” de 2015/2016, que causou significativos danos climáticos.

O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, enfatizou que, embora não se possa prever com exatidão as consequências, é certo que haverá algum tipo de transtorno. Para ele, a antecipação se torna uma ferramenta essencial para mitigar os impactos.

O governador Eduardo Leite anunciou a necessidade de uma governança integrada com as prefeituras dos municípios mais vulneráveis. Leite ressaltou que a ocorrência de um “El Niño” intenso é um fato quase consensual entre os especialistas. Contudo, ele acredita que o Estado está mais preparado do que em anos anteriores.

Essa preparação é atribuída a “investimentos históricos” na Defesa Civil, que resultaram em uma ampliação das equipes, melhorias tecnológicas e maior capacidade de monitoramento. O governador destacou também a importância de um processo contínuo para assegurar a proteção das comunidades.

O governador convocou os prefeitos para que se mantenham alertas e prontos para ativar medidas de contingência que visem preservar vidas em casos de emergência.

Detalhes do fenômeno

A meteorologista da Defesa Civil, Cátia Valente, apresentou previsões sobre o aquecimento do Pacífico, que saltou de -0,4°C no final do ano passado para 0,5°C neste mês. Esse aumento de temperatura é indicativo do início da formação do fenômeno “El Niño”.

Além disso, o aquecimento anômalo do Oceano Atlântico pode resultar na formação de frentes frias e ciclones extratropicais, o que pode intensificar os impactos a partir do próximo semestre.

Valente comparou a situação atual com a observada em 2023, mas alertou que as condições climáticas podem mudar após a transição do outono. Ela também destacou que o “El Niño” por si só não determina eventos climáticos extremos, uma vez que isso depende de outros fatores, como bloqueios atmosféricos.

Interação com prefeitos

Considerando as previsões, o governador determinou que a Defesa Civil inicie, nas próximas semanas, um fluxo de Governança Integrada de Proteção. Essa estratégia visa fortalecer o diálogo com prefeitos de cerca de 60 municípios que apresentam maior risco e vulnerabilidade, com base em análises meteorológicas, hidrológicas e geológicas.

A primeira reunião será realizada nas próximas semanas e servirá para compartilhar atualizações e diagnósticos personalizados sobre as áreas de interesse. O objetivo é que os gestores saiam do encontro preparados para implementar protocolos de contingência de acordo com a evolução das previsões meteorológicas.

Após essa reunião inicial, seminários regionais serão organizados, contando com a participação do governador em cada um deles. Leite reiterou a importância de manter a rede mobilizada para um monitoramento efetivo das condições climáticas, garantindo que todas as medidas de precaução sejam adotadas.

O compromisso do Estado é permanecer atento, vigilante e preparado para enfrentar os desafios que podem surgir em decorrência dessas mudanças climáticas.

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