Lula menciona Groenlândia e alerta sobre possível interesse de Trump na Amazônia
Lula critica expansionismo dos EUA e defende fortalecimento da defesa nacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou preocupações sobre as recentes declarações de Donald Trump, que refletem um expansionismo dos Estados Unidos em relação a territórios estrangeiros. Em um discurso na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES), Lula destacou a importância de proteger a Amazônia diante dessas ameaças.
O presidente mencionou a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá como exemplos de como Trump tem buscado afirmar a soberania americana sobre áreas estratégicas. Ele questionou: “Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá é dele, que o Canal do Panamá é dele, quem é que vai dizer que a Amazônia não é dele?”.
Durante seu discurso, Lula enfatizou a necessidade de o Brasil investir em sua soberania nacional. Ele afirmou que o país deve “assumir a responsabilidade de cuidar do país”, dada a sua vasta riqueza natural, que inclui a maior floresta tropical do mundo e grandes reservas minerais.
O presidente alertou que o Brasil “não pode ficar desguarnecido” em meio à crescente disputa global por recursos naturais. Ele destacou a importância das reservas minerais, da água doce e da biodiversidade como ativos estratégicos e mencionou o risco de invasões pelas fronteiras, afirmando que a falta de segurança pode facilitar esses ataques.
Nos últimos meses, Trump tem manifestado interesse em aumentar a influência dos EUA sobre territórios estratégicos, incluindo o Canal do Panamá, criticando a autonomia da Groenlândia e sugerindo uma integração econômica mais profunda com o Canadá.
Mais críticas
Lula também aproveitou a oportunidade para criticar a abordagem internacional de Trump, afirmando que o ex-presidente americano “acha que pode governar o mundo pelo Twitter”. Ele ressaltou que prefere enfrentar as questões internacionais “na narrativa”, utilizando dados econômicos e diplomacia.
O presidente brasileiro apontou que os Estados Unidos acumularam um superávit comercial de US$ 415 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos, uma informação que ele usou para refutar as críticas de Trump sobre a relação comercial entre os dois países.
Além disso, Lula enfatizou a importância de uma resposta serena às provocações internacionais, afirmando: “Eu não quero guerra com você. O que eu quero é provar que você está errado e que o Brasil está certo”.
Críticas ao governo anterior
No discurso, Lula também criticou a gestão de Jair Bolsonaro, afirmando que o governo anterior “destruiu” políticas públicas. Ele acusou Bolsonaro de governar por meio do que chamou de “gabinete do ódio”, uma referência ao núcleo de disseminação de desinformação ligado a seus aliados.
O presidente descreveu a última gestão como um “período da mentira” e, citando o empresário Daniel Vorcaro, afirmou: “Nós nunca fomos atrás da Lei Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro”, referindo-se a questões envolvendo o filme Dark Horse e Flávio Bolsonaro. Ele acrescentou que “vai aparecer muito mais coisa” e associou adversários políticos a práticas de desinformação e violência política.
Teia de Cultura
O evento também marcou a retomada da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, após 12 anos de hiato, reunindo representantes da cultura popular, povos tradicionais e gestores públicos de todo o Brasil.
Durante a cerimônia, a ministra Margareth Menezes assinou a regulamentação do programa Festejos Populares do Brasil. Lula também assinou decretos para reestruturar o Conselho Nacional de Política Cultural e criar a Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares.
A cantora Luedji Luna participou da cerimônia, apresentando o Hino Nacional, ao lado de figuras como o senador Fabiano Contarato, o ministro substituto da Saúde, Adriano Massuda, e o ministro da Educação, Leonardo Barchini.
