PF identifica transferência de R$ 14,2 milhões de fundo relacionado ao Refit para empresa da família de Ciro Nogueira

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Investigação da Polícia Federal revela transação milionária envolvendo senador e grupo de combustíveis.

A Polícia Federal investiga um suposto esquema de sonegação e corrupção relacionado à Refit, um conglomerado do setor de combustíveis. A investigação revelou um pagamento de R$ 14,2 milhões de um dos fundos do grupo para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira, que leva seu nome.

O senador confirmou a transação, explicando que o valor se refere à venda de um terreno destinado à construção de uma distribuidora de combustíveis, afirmando que o processo foi realizado de maneira regular e devidamente declarado às autoridades competentes.

A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, resultou na Operação Sem Refino, que tem como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Ricardo Magro, controlador da Refit, é considerado foragido e teve seu nome incluído na lista da Interpol. Ele é investigado por dívidas fiscais que ultrapassam R$ 26 bilhões, além de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

A investigação sobre o pagamento à empresa de Ciro Nogueira será aprofundada. Embora um ex-assessor do senador tenha sido alvo de busca e apreensão, Nogueira não foi diretamente implicado na Operação Sem Refino. No entanto, ele já havia enfrentado uma ação anterior relacionada a fraudes em outra operação investigativa.

De acordo com a Polícia Federal, o senador teria recebido “vantagens indevidas” em troca de apoio a projetos no Congresso, com valores mensais que variam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

A PF analisou a contabilidade de diversos fundos e empresas ligadas à Refit, identificando a empresa Athena como uma das principais beneficiárias. A transferência de R$ 14,2 milhões da Athena para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis não possui justificativas claras na contabilidade, o que levanta questões sobre a natureza do pagamento.

Embora Ciro Nogueira não figure atualmente como sócio da empresa, ele afirmou que, na época da negociação em 2024, possuía apenas 1% de participação. A investigação também encontrou repasses de R$ 1,3 milhão para um ex-secretário da Casa Civil durante a gestão de Nogueira, que é alvo de busca e apreensão.

Em nota, Ciro Nogueira defendeu a legalidade da transação e lamentou as tentativas de associá-lo a escândalos, reafirmando sua disposição para esclarecer os fatos e sua tranquilidade em relação às acusações.

Nota do senador Ciro Nogueira:

“O senador Ciro Nogueira lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal. A empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares para construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado refere-se à venda dessa área, situada em local valorizado em Teresina, e foi totalmente declarado aos órgãos competentes. A empresa da família do senador atua no segmento imobiliário, e ele não detém participação significativa na empresa atualmente.”

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