Ciro Nogueira nega transferência de terreno vendido para empresa financiada por fundo da Refit

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Senador Ciro Nogueira afirma que venda de terreno não foi concluída devido a pagamentos pendentes.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarou em entrevista a uma emissora local que a venda de um terreno por sua empresa para uma distribuidora de combustíveis não foi formalmente concluída, pois a compradora não efetuou todos os pagamentos acordados.

Segundo Nogueira, a distribuidora, que está sob investigação da Polícia Federal, não pagou a totalidade do valor estipulado no contrato. A declaração do senador contrasta com informações apresentadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF), além do próprio contrato assinado por seu irmão.

O contrato, datado de agosto de 2024, envolveu a venda de uma área de 40 hectares em Teresina (PI) por R$ 14,2 milhões. A assessoria do senador explicou que o pagamento seria dividido em três parcelas iniciais de R$ 2,5 milhões e 21 parcelas mensais de R$ 300 mil, iniciando em fevereiro de 2025. A assessoria também afirmou que, devido ao cronograma de pagamento ainda não ter se encerrado, a transferência do imóvel não foi finalizada.

A Polícia Federal, no entanto, identificou que os pagamentos foram realizados à empresa de Nogueira, que é oficialmente registrada em nome de familiares. A situação levanta questões sobre a veracidade das informações apresentadas pelo senador e as evidências encontradas pela PF.

Em uma entrevista à TV Clube, Ciro Nogueira reiterou que não é sócio da empresa, mas defendeu a legalidade da transação, destacando que a empresa é uma das mais antigas e respeitadas do Piauí, pertencente à sua mãe. Ele afirmou que a negociação foi realizada de forma lícita e que não há ilegalidades envolvidas.

Contudo, o contrato apresenta uma discrepância nos valores, pois, ao somar as parcelas, o total chega a R$ 13,8 milhões, abaixo do valor acordado de R$ 14,2 milhões. A Athena, empresa compradora, foi identificada pela PF como ligada ao grupo Refit, que é investigado por corrupção e sonegação fiscal.

A investigação sobre os pagamentos à empresa de Ciro Nogueira continua em andamento. Embora um ex-assessor do senador tenha sido alvo de busca e apreensão, Nogueira não foi diretamente implicado nas investigações da Operação Sem Refino, que investiga fraudes no setor de combustíveis.

Além disso, Ciro Nogueira, uma figura influente no Centrão e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, foi alvo de investigações relacionadas a fraudes no Banco Master, onde a PF sugere que um fundo associado à sua empresa é utilizado para ocultação de bens.

Recentemente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou um bloqueio judicial sobre um avião de Ciro Nogueira, avaliado em cerca de R$ 10 milhões, em decorrência de investigações que apontam suspeitas de corrupção relacionadas ao parlamentar.

A decisão judicial impede qualquer transferência ou negociação da aeronave até nova deliberação, mantendo-a indisponível para venda ou mudança de propriedade.

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