Cubanos se mobilizam em frente à embaixada dos EUA em Havana em protesto contra Raúl Castro
Milhares de cubanos protestam contra acusações dos EUA em Havana.
Milhares de cubanos se reuniram em frente à embaixada dos Estados Unidos em Havana, capital de Cuba, em uma manifestação contra as recentes acusações feitas por autoridades americanas, especialmente direcionadas a Raúl Castro.
A manifestação, que ocorreu na manhã de sexta-feira, foi marcada pela presença do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e do primeiro-ministro, Manuel Marrero, demonstrando o apoio do governo à mobilização popular.
Além de Raúl Castro, outras cinco pessoas foram mencionadas em uma moção dos EUA que visa tornar públicas as acusações contra o ex-presidente cubano.
“Os Estados Unidos não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano”, afirmou um ex-presidente em comunicado.
Na quinta-feira, Díaz-Canel condenou as acusações contra Castro, enfatizando que o povo cubano não aceitará insultos à sua história e heróis nacionais. Ele destacou a perseverança do povo diante das dificuldades impostas pelo bloqueio econômico e como as acusações fortaleceram o orgulho nacional e o sentimento anti-imperialista.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, também se manifestou, criticando as declarações do secretário de Estado americano, que culpou os líderes cubanos pela atual crise de abastecimento. Rodríguez acusou os EUA de fabricarem mentiras para justificar uma possível agressão militar.
“O Secretário de Estado dos EUA sabe muito bem que o fortalecimento das medidas coercitivas unilaterais é o principal obstáculo ao desenvolvimento econômico de Cuba”, disse Rodríguez.
Ameaças dos EUA
Na segunda-feira, Díaz-Canel reafirmou que a ilha não representa uma ameaça. Este episódio é considerado um dos mais delicados nas relações entre os EUA e Cuba, especialmente durante a época em que Raúl Castro era ministro da Defesa.
As tensões entre os dois países se intensificaram após a imposição de um embargo petrolífero pelos EUA, que agravou a crise energética já existente em Cuba. A ordem executiva assinada por Donald Trump em 1º de maio aumentou as sanções econômicas, financeiras e comerciais que perduram há mais de seis décadas.
Especialistas consideram que uma agressão militar dos EUA contra Cuba é uma possibilidade real, especialmente após os recentes eventos na Venezuela e no Irã, com Trump insinuando que Cuba poderia ser o próximo alvo.
Da guerrilha ao poder
Raúl Castro, que completará 95 anos em breve, foi um dos guerrilheiros que lutaram ao lado de Fidel Castro e Che Guevara, depuseram o ditador Fulgencio Batista e estabeleceram um regime socialista. Durante seu governo, Castro tomou decisões difíceis e enviou tropas para apoiar movimentos de independência em outros países africanos.
Após a doença de Fidel em 2006, Raúl assumiu a liderança do país e, embora tenha mantido a essência do regime, implementou reformas econômicas significativas, como a liberação de algumas restrições e o estímulo ao setor privado.
Em 2014, ele surpreendeu ao restabelecer relações diplomáticas com os EUA, um processo que foi interrompido com a chegada de Trump à presidência em 2016. Desde então, as relações entre os dois países têm sido marcadas por tensões e novas sanções.
