Beto Louco conclui delação sobre fraude fiscal na Bahia
Empresário revela esquema de corrupção no setor de combustíveis na Bahia, resultando em prejuízo de R$ 400 milhões.
Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia, após ser alvo da operação Carbono Oculto. Em sua colaboração, ele denunciou um esquema de fraude fiscal e pagamento de propina no setor de combustíveis do estado.
As informações fornecidas por “Beto Louco” foram fundamentais para a operação Khalas, que foi deflagrada pelo MP-BA em 21 de maio de 2026. A investigação se concentra em um esquema de corrupção e crimes tributários relacionados à Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA).
De acordo com o Ministério Público, as fraudes relatadas causaram um prejuízo estimado de R$ 400 milhões aos cofres estaduais, envolvendo a adulteração de cerca de 111 milhões de litros de combustíveis.
O acordo de delação na Bahia ocorreu após uma tentativa anterior de colaboração que foi rejeitada em São Paulo. Em 6 de maio de 2026, o Ministério Público paulista não aceitou a proposta de delação de “Beto Louco” e de Mohamad Hussein Moraes, conhecido como “Primo”, também implicado na operação Carbono Oculto.
Os investigados haviam oferecido R$ 1 bilhão em troca de um acordo, mas os promotores estimaram que a sonegação poderia chegar a R$ 4 bilhões, além de levantarem suspeitas sobre o pagamento de propina a fiscais. Entre os envolvidos, também foi citado Olavo Oliva, auditor fiscal da Coordenação de Petróleo e Combustíveis da secretaria.
ENTENDA O CASO
Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, está sendo investigado por fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
A operação Carbono Oculto foi iniciada em agosto de 2025, como uma resposta à infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis. A ação contou com a participação de aproximadamente 1.400 agentes em oito estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
As investigações revelaram o uso de empresas de combustíveis e biocombustíveis em um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, supostamente para financiar o PCC.
No mês de setembro de 2025, “Beto Louco” foi mencionado em um depoimento à Polícia Federal, onde um piloto afirmou ter transportado foragidos ligados ao esquema de lavagem de dinheiro do PCC, incluindo Leme e Moraes.
Esse depoimento levou a Polícia Federal a incluir Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, nas investigações relacionadas à operação. Rueda nega qualquer irregularidade, mas o caso ampliou as suspeitas de fraudes fiscais e corrupção no setor de combustíveis.
A delação de “Beto Louco” foi crucial para a operação Khalas, que resultou na prisão preventiva de três pessoas, incluindo um servidor público estadual, além de 13 mandados de busca e apreensão em diversas cidades da Bahia. Também foram bloqueados bens de cinco pessoas físicas e sete jurídicas.
Conforme o MP-BA, o grupo envolvido no esquema pagava vantagens indevidas a servidores estaduais e municipais para garantir proteção e facilidades ilegais em suas operações.
