Estratégia de segurança de Trump impacta América Latina
Nova Estratégia dos EUA Foca no Combate ao Crime Organizado na América Latina
Dois dias antes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca, o governo dos EUA anunciou uma nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo. O documento destaca o combate ao crime organizado na América Latina como uma prioridade.
A possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) tem gerado apreensão no Brasil. No entanto, o tema não foi oficialmente abordado durante a reunião entre os presidentes, conforme relatos do staff brasileiro.
Lula declarou publicamente que não discutiu o assunto com Trump, e a falta de diálogo sobre um tema tão delicado pode indicar a tensão existente entre Brasília e Washington. O Itamaraty já se manifestou contra a ideia de rotular facções como terroristas, argumentando que isso poderia resultar em interferências externas e ameaçar a soberania nacional.
Nos bastidores, especula-se que a movimentação de Trump responda a pressões políticas da direita brasileira, que defende uma aproximação com os modelos norte-americanos de combate ao crime. Por outro lado, há indícios de um interesse em aumentar a presença militar dos EUA na região.
A posição do Brasil é que a questão deve ser tratada como um problema de crime organizado transnacional, enfatizando o compartilhamento de inteligência e a cooperação policial, em vez de adotar a abordagem global da “guerra ao terror” historicamente utilizada pelos EUA.
Lula busca evitar que o debate se desvie para um enquadramento jurídico de terrorismo, que considera excessivo e contraproducente. Recentemente, o Planalto anunciou um novo plano nacional de combate ao crime organizado, focado no desmantelamento das estruturas financeiras das facções.
TRUMP E A MILITARIZAÇÃO
A nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo dos EUA prioriza a identificação e repressão a ameaças na América Latina, tratando cartéis do narcotráfico e organizações criminosas como riscos estratégicos. Embora o combate a grupos jihadistas continue, a estratégia marca uma mudança ao colocar a América Latina no centro da agenda de segurança dos EUA.
O documento categoriza ameaças em três grupos: jihadistas, cartéis do narcotráfico e organizações de “extrema-esquerda”. Os cartéis latino-americanos agora ocupam uma posição central, com foco em vigilância de fronteiras, cooperação de inteligência e ações integradas para combater o tráfico de drogas, armas e pessoas.
A aproximação entre crime organizado e terrorismo pode favorecer a militarização das relações entre os EUA e a América Latina. Essa nova lógica amplia o escopo político e jurídico para medidas mais agressivas, permitindo um uso mais intenso da força e a implementação de legislações excepcionais.
A mudança pode resultar em pressões por ações de segurança coordenadas e um aumento da influência da agenda de segurança dos EUA sobre as políticas internas dos países latino-americanos. Isso gerou preocupação em nações como México e Brasil, que temem uma maior intervenção política e operacional dos EUA na região.
Desde a volta de Trump à presidência, o governo dos EUA tem buscado enquadrar o crime organizado na lógica do terrorismo, apesar das diferenças fundamentais entre os dois. O crime organizado visa objetivos econômicos, enquanto o terrorismo busca gerar medo através da violência política. No entanto, essa classificação pode levar a respostas estatais mais severas e à militarização da política de segurança dos EUA na América Latina.
O QUE QUEREM OS EUA?
Nos anos 2000, o discurso da “guerra global contra o terror” foi utilizado pelos EUA para justificar a militarização do combate a ameaças estratégicas. Essa narrativa sustentou intervenções militares no Iraque e Afeganistão, e consolidou processos de securitização que apresentavam certos temas como ameaças existenciais.
A atual Estratégia Nacional de Contraterrorismo dos EUA se insere nessa tradição, aproximando crime organizado e terrorismo e deslocando a América Latina para o centro da agenda de segurança. Ao tratar cartéis como ameaças comparáveis a grupos jihadistas, a estratégia favorece a militarização das relações hemisféricas.
Essa militarização não se limita ao aumento do uso de forças armadas, mas também se estende à política externa e ao tratamento de problemas de segurança pública. O enquadramento de organizações como terroristas pode resultar em sanções severas e pressões para que governos adotem respostas mais rigorosas.
Um exemplo disso
