Jovens resgatam iPods para escapar das distrações dos celulares e buscam ouvir música em paz
Jovens resgatam iPods em busca de menos distrações e mais foco na música.
Nos dias atuais, uma tendência inesperada tem se destacado entre a Geração Z: o retorno ao uso de iPods. A prática, que parece remeter a 2006, consiste em conectar fones de ouvido com fio e selecionar álbuns manualmente, proporcionando uma experiência musical livre de interrupções.
O iPod, lançado pela Apple há mais de duas décadas, voltou a ser uma escolha popular entre os jovens. A razão principal para essa reviravolta não é apenas a nostalgia, mas sim a ausência de notificações, algoritmos e feeds infinitos que dominam os smartphones atuais.
Jovens têm relatado que o uso do iPod se tornou uma maneira de ouvir música durante treinos, estudos e deslocamentos, longe das distrações constantes associadas aos celulares. A sensação de liberdade e foco que o dispositivo proporciona é um dos principais atrativos.
“Até hoje existe uma comunidade enorme de pessoas que restauram iPods antigos com bateria nova e mais armazenamento, seja para manter o produto vivo como lembrança ou até mesmo para usá-lo no dia a dia”, afirma um especialista em Apple.
A busca por iPods tem crescido, com dados de plataformas de venda indicando um aumento significativo nas transações desse dispositivo. O site de vendas Enjoei reportou que, no primeiro trimestre deste ano, as vendas de iPods foram 47% superiores em comparação ao mesmo período do ano passado.
Além disso, a OLX registrou um crescimento de 18,9% nas buscas por iPods em abril de 2026, em relação ao mesmo mês de 2025, e um aumento de 22% de janeiro a abril deste ano em comparação ao ano anterior.
‘Só quero ouvir música em paz’
Emanuelle Assunção, Lisandra Reis e Cláudio Wollace, jovens que não se conhecem, compartilham a mesma frustração em relação às redes sociais e decidiram voltar a usar o iPod. Para eles, a experiência de ouvir música sem interrupções é essencial.
Lisandra, por exemplo, menciona que o celular frequentemente a distrai durante suas corridas, enquanto Emanuelle, que personalizou seu iPod Touch com adesivos, utiliza o aparelho durante treinos e leituras. Ela comprou o dispositivo em 2024 e, apesar de ter perdido a compatibilidade com o Spotify, voltou a baixar músicas manualmente.
“Hoje eu uso ele durante os treinos de musculação, às vezes quando estou lendo e também nos deslocamentos de carro por aplicativo”, diz Emanuelle.
Cláudio, que usa um iPod Nano, considera o processo de baixar músicas e transferi-las como revigorante. Ele valoriza a qualidade sonora do dispositivo e aprecia a liberdade de não ser influenciado por algoritmos de reprodução.
“Mesmo assinando serviços de streaming, como o Spotify, eu ainda prefiro o iPod. Sinto que a qualidade sonora é até melhor”, conta.
Para ele, o iPod representa uma conexão emocional, já que desejava um quando era mais jovem. Atualmente, ele sonha em ter um iPod Classic, um dos primeiros modelos lançados, que hoje é bastante valorizado no mercado de revenda.
Músicas custavam cerca de R$ 1,80 cada
O especialista em Apple destaca que a combinação entre iTunes e iPod foi fundamental para combater a pirataria e consolidar o aparelho no mercado. O primeiro iPod, que funcionava apenas com computadores Mac, teve seu alcance ampliado com o lançamento do iTunes para PC.
Com a criação da iTunes Store, os usuários puderam comprar músicas separadamente por um preço acessível, facilitando o processo de transferência para o iPod.
“Pela primeira vez, os usuários podiam comprar músicas separadamente por US$ 0,99 (cerca de R$ 1,80 na época). Todo o processo era extremamente rápido e fácil”, afirma.
Por que estamos resgatando dispositivos dos anos 2000?
Para especialistas em comportamento humano, essa tendência reflete uma busca por um tempo em que a tecnologia tinha limites mais claros e interferia menos na atenção das pessoas. O retorno ao uso de iPods e fones de ouvido com fio simboliza uma recusa à hiperconectividade.
