Bolsonaro anuncia divulgação de lista de candidatos apoiados para resolver disputas internas

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Bolsonaro planeja lista de apoio a pré-candidatos nas eleições de outubro.

O ex-presidente Jair Bolsonaro está preparando uma lista com os nomes dos pré-candidatos que pretende apoiar nas próximas eleições, mesmo cumprindo prisão domiciliar e sem poder participar ativamente das campanhas políticas.

Fontes próximas ao ex-presidente indicam que a lista incluirá, ao menos, os pré-candidatos ao Senado do PL, mas pode se estender a candidatos a governos estaduais e até a nomes de outros partidos que tenham o apoio de Bolsonaro.

Atualmente, o PL mantém alianças em 22 estados, conforme informações da coordenação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro.

Em um momento de isolamento político, a lista servirá como uma ferramenta para resolver disputas internas no bolsonarismo em diversas regiões. Algumas dessas rivalidades envolvem candidatos que a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, deseja apoiar como presidente do PL Mulher.

A estratégia busca limitar as opções de voto dos eleitores bolsonaristas, evitando que escolham candidatos de oposição que não tenham o respaldo do clã, referidos como “caroneiros” por um interlocutor de Bolsonaro.

Um acordo na cúpula do PL definiu que Bolsonaro escolheria os candidatos ao Senado, enquanto o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, ficaria responsável pelos nomes aos governos. Esse processo já está em andamento desde a janela partidária de março e deverá ser concluído nas convenções entre julho e agosto.

Este ano, estão em jogo 54 das 81 cadeiras do Senado, com cada estado elegendo dois representantes. O objetivo de Bolsonaro é eleger até 35 senadores aliados, garantindo assim a maioria necessária para promover impeachment de ministros do STF.

A prisão de Bolsonaro, resultante de uma condenação a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, complicou sua capacidade de articulação política em relação a Flávio e ao PL. Até março, quando foi colocado em prisão domiciliar, o ex-presidente recebia visitas de pré-candidatos em busca de apoio e discutia o cenário eleitoral de cada estado.

Após ser internado com pneumonia, Bolsonaro foi autorizado a cumprir pena em casa, mas seu contato se restringe apenas a Michelle, seus filhos, médicos e advogados.

A lista que ele está elaborando é vista como uma forma de expressar sua influência nas eleições, algo que anteriormente era feito diretamente por ele aos escolhidos.

Após uma visita no último dia 16, Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, mencionou que discutiram palanques e nomes de possíveis senadores, prometendo novidades em breve. Em fevereiro, Carlos já havia afirmado que o pai estava trabalhando na lista.

Santa Catarina é um dos estados onde a lista pode ajudar a resolver disputas internas. O PL havia decidido apoiar Carlos e o senador Esperidião Amin para o Senado, mas Michelle defendia a deputada Caroline de Toni para a vaga, convencendo o marido a garantir o apoio à sua aliada.

Recentemente, Michelle também fez acenos a Esperidião, indicando desavenças com os enteados.

A principal controvérsia, no entanto, ocorre em São Paulo, onde o PL planeja apoiar Guilherme Derrite e André do Prado para o Senado, enquanto Ricardo Salles corre por fora.

A escolha de André do Prado, apoiado por Valdemar e pelo governador Tarcísio de Freitas, teve o respaldo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que optou por ele em detrimento de outros nomes mais alinhados ideologicamente.

Por isso, a definição foi acompanhada de explicações de Eduardo ao eleitorado bolsonarista, especialmente nas redes sociais.

Nesse contexto, a lista de Bolsonaro apoiando a pré-candidatura de André é vista como a principal estratégia dos auxiliares de Flávio para conter críticas internas.

Conforme reportado, a decisão de Eduardo e Flávio não teve um aval público do pai, que preferia o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, gerando acusações de que André não representava o bolsonarismo, mas sim o centrão.

No Ceará, o PL está em vias de formar uma aliança com Ciro Gomes ao governo, com candidatos ao Senado sendo Alcides Fernandes e Capitão Wagner. No entanto, Michelle insiste na candidatura da vereadora Priscila Costa, que enfrenta resistência local, e a lista de Bolsonaro poderia legitimar essa candidatura.

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