Zema alerta que voto em Flávio Bolsonaro favorece Lula, enquanto Caiado defende união
Romeu Zema critica Flávio Bolsonaro e analisa cenário eleitoral após escândalo do Banco Master.
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, expressou preocupações sobre o impacto do escândalo do Banco Master nas eleições de 2024. Segundo Zema, a situação torna o ambiente eleitoral mais desafiador para a direita, alertando que os eleitores que optarem por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) podem, na verdade, estar contribuindo para a reeleição de Lula (PT).
Durante um evento promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) em São Paulo, Zema afirmou que o escândalo atual é mais grave do que os desafios enfrentados em 2022. Ele destacou que a situação atual poderia favorecer a esquerda, especialmente com as recentes pesquisas de intenção de voto mostrando Lula à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Em uma pesquisa recente, Lula obteve 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 43%. Zema e sua equipe acreditam que um candidato da direita com menor rejeição poderia ter melhores chances de vencer o petista. Atualmente, Flávio Bolsonaro apresenta uma taxa de rejeição de 46%, semelhante à de Lula.
Zema, que já foi aliado de Flávio Bolsonaro, adotou uma postura crítica em relação ao senador, especialmente após as revelações sobre seus vínculos com o escândalo. Ele reiterou que nunca se encontrou com Daniel Vocaro, a quem chamou de “banqueiro bandido”, e expressou descontentamento com a associação de Flávio a ele.
O pré-candidato do Novo enfatizou que a proximidade de Flávio com pessoas envolvidas em atividades ilícitas é um sinal negativo. Ele defendeu que a competência deve prevalecer sobre laços familiares em questões políticas e administrativas.
Apesar das críticas, Zema afirmou que ainda apoiaria Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o PT e manifestou disposição para dialogar com o senador, embora tenha deixado claro que não tolera associações com criminosos.
Além disso, Zema minimizou a doação do pai de Vocaro ao Partido Novo, argumentando que não havia conhecimento sobre o escândalo na época da doação.
Em um evento paralelo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também participou e defendeu a união da centro-direita. Ele se distanciou de uma postura mais crítica em relação a Flávio Bolsonaro, afirmando que o foco deve ser a derrota do PT no segundo turno.
Caiado expressou preocupações sobre a “desordem institucional” no Brasil e a necessidade de um presidente com estatura moral. Ele ressaltou que a decisão sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro deve ser deixada aos eleitores, embora tenha questionado a eficácia de suas explicações sobre o escândalo.
Tanto Caiado quanto Zema criticaram o Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo mudanças na estrutura da Corte. Zema sugeriu a implementação de uma idade mínima para ministros e a adoção de um processo mais democrático para suas indicações.
Os dois líderes políticos concordaram que o STF, que já foi visto como um poder moderador, precisa passar por reformas para evitar crises futuras no país.
