MP-SP aciona fabricante de ração por morte de centenas de cavalos e solicita indenização de R$ 10 milhões

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Nove cavalos morrem após consumo de ração contaminada em Guarulhos, na Grande SP

Uma tragédia envolvendo a morte de nove cavalos em Guarulhos, São Paulo, gerou uma ação civil pública contra a fabricante de ração Nutratta. O Ministério Público de São Paulo tomou a iniciativa após a morte de centenas de animais e a doença de outros em diversos estados do país.

A Promotoria de Justiça do Consumidor protocolou a ação na última sexta-feira (22), alegando que a Nutratta utilizou resíduos de soja contaminados com alcaloides pirrolizidínicos na produção de rações para equinos, bovinos, suínos e aves.

Na ação, o MP requer o bloqueio de bens dos réus, a proibição das atividades da empresa até que sejam cumpridas as exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária, a realização de recall dos produtos contaminados, indenização aos consumidores afetados e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

Laudos laboratoriais e necropsias indicaram a presença de substâncias tóxicas em concentrações até 2.600 vezes acima do limite seguro para cavalos. O impacto da contaminação é alarmante, com 238 mortes confirmadas de equídeos em várias regiões do Brasil, incluindo um haras em Indaiatuba, onde 29 mortes e cerca de 120 animais adoecidos foram registrados.

Outro caso significativo ocorreu em Atalaia, Alagoas, onde 79 animais também morreram após consumirem ração da Nutratta. Além disso, relatos de mortes e adoecimento foram recebidos de Guarulhos, Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatubas.

A ação civil pública destaca que a contaminação pode ter afetado a cadeia alimentar humana, já que a mesma linha de produção era utilizada para ração bovina, sem controles adequados de contaminação cruzada. Auditorias do Ministério da Agricultura alertaram sobre o risco de transmissão dos alcaloides tóxicos através do leite, carne e fígado de animais alimentados com a ração contaminada.

Um criador de cavalos da região descreveu os sintomas observados em seus animais, como desorientação e alterações de comportamento. Após a morte de vários cavalos, um representante da Nutratta visitou o local e assumiu a responsabilidade, confiscando 110 sacos de ração.

Em julho de 2025, um levantamento revelou 645 mortes de animais em pelo menos seis estados brasileiros, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. A substância tóxica identificada na ração é a monocrotalina, uma toxina encontrada em plantas do tipo crotalária, que é hepatotóxica e neurotóxica, representando um risco fatal para diversos animais.

Os primeiros casos de intoxicação foram notificados em abril de 2025, com os animais apresentando sinais neurológicos que rapidamente levaram à morte. A veterinária Marcella Batista alertou que não há cura para a intoxicação, apenas tratamento de suporte, e recomendou a realização de exames nas enzimas hepáticas dos animais que consumiram a ração contaminada.

“O animal se debate, derruba tudo, entra em sofrimento absurdo. E aí tem que entrar com eutanásia”, afirmou a veterinária.

O caso levanta preocupações sobre a segurança alimentar e a responsabilidade das empresas na produção de ração animal, destacando a necessidade de medidas rigorosas para evitar futuras tragédias.

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