Homens criam fazenda de notebooks e contribuem inadvertidamente com a Coreia do Norte
Dois norte-americanos são condenados por fraudes que financiam o programa de armas da Coreia do Norte.
Recentemente, dois cidadãos dos Estados Unidos foram condenados a 18 anos de prisão por envolvimento em esquemas fraudulentos que ajudaram a Coreia do Norte a arrecadar mais de US$ 1,2 milhão. Os acusados foram identificados como participantes ativos em um plano que enganou cerca de 70 empresas, permitindo que o regime norte-coreano obtivesse financiamento para seu programa de armamento.
O Departamento de Justiça dos EUA destacou que esses indivíduos desempenharam um papel crucial na facilitação de fraudes que, embora pareçam inusitadas, são mais comuns do que se imagina. O caso chamou a atenção devido à sua complexidade e à implicação de que a Coreia do Norte está utilizando métodos sofisticados para gerar receita no exterior.
A fraude norte-coreana de US$ 800 milhões
Um dos métodos mais notáveis usados pela Coreia do Norte envolve a contratação de engenheiros qualificados para trabalhar remotamente. A ideia é que esses profissionais sejam empregados em grandes empresas de tecnologia, onde os salários são elevados. No entanto, a execução desse plano é repleta de desafios, especialmente sem a ajuda de intermediários.
Um dos condenados operava uma empresa que auxiliava trabalhadores a obter documentos fraudulentos, permitindo que atuassem como se fossem cidadãos americanos. Apesar do aumento do trabalho remoto, existem mecanismos rigorosos de monitoramento para evitar fraudes desse tipo, mas os acusados conseguiram contornar essas barreiras.
Com documentos falsificados, o próximo passo era fazer com que as empresas acreditassem que os trabalhadores estavam realmente localizados nos Estados Unidos, enquanto, na verdade, eles operavam a partir da Coreia do Norte. As chamadas “fazendas de notebooks” foram utilizadas como uma ponte entre os trabalhadores e as empresas, permitindo que os pagamentos fossem realizados sem levantar suspeitas.
Estima-se que, apenas em 2024, a Coreia do Norte tenha gerado cerca de US$ 800 milhões utilizando essas táticas. Esses recursos são direcionados para sustentar não apenas o programa de armamento do país, mas também para financiar ciberataques e outras operações no exterior.
