Mediadores abandonam comissões e greve da USP enfrenta novo impasse sem avanços nas negociações
A greve estudantil na USP enfrenta um novo impasse após a saída da comissão mediadora.
A greve estudantil na Universidade de São Paulo (USP) atingiu um novo impasse com a saída dos integrantes da comissão mediadora, ocorrida na terça-feira, 26. O movimento, que já dura mais de 40 dias, agora se encontra sem uma data definida para a retomada das negociações.
Representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre da USP) informaram que as negociações diretas com a reitoria foram encerradas em 30 de abril. Desde então, as discussões têm sido conduzidas exclusivamente por intermediários que não fazem parte do movimento estudantil.
A comissão mediadora era composta por professores da universidade e uma especialista externa em negociações. Todos os membros deixaram oficialmente o grupo após duas reuniões realizadas neste mês, indicando um desgaste nas tentativas de diálogo.
O DCE revelou que uma das mediadoras mencionou a possibilidade de um aumento no auxílio permanência estudantil, que poderia chegar a 1.086 reais. Contudo, essa proposta não foi implementada pela gestão, gerando descontentamento entre os estudantes.
Os estudantes afirmam que a saída dos mediadores reflete a falta de diálogo da gestão do reitor Aluísio Segurado. A insatisfação se estende não apenas aos grevistas, mas também a professores e membros da própria mesa de mediação.
Com a ausência de uma mesa de negociação, a perspectiva de retomar as reuniões para discutir a greve se torna incerta. O DCE expressou que isso demonstra a incapacidade da reitoria em administrar uma instituição de grande relevância como a USP. O atual reitor foi nomeado pelo governador Tarcísio de Freitas após quatro anos de gestão anterior.
Antes de sua dissolução, a comissão elaborou uma ata final que registrou uma proposta intermediária, onde o auxílio integral seria ajustado para 1.096 reais, proposta essa que foi rejeitada pela universidade.
Esse impasse levou a Adusp, a Associação dos Docentes da USP, a aprovar uma greve a partir da mesma data. Apesar da variação na adesão entre as diferentes unidades e cursos, a paralisação conta com o apoio significativo de parte dos professores.
No documento final, que possui 36 páginas, a comissão detalha as propostas discutidas nas reuniões, incluindo a reforma do Hospital Universitário da USP, a gratuidade no transporte interno para estudantes e servidores, e a criação de uma comissão docente para implementar cotas para pessoas com deficiência na universidade.
A ata também menciona a elaboração de uma proposta intermediária para o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que é a principal reivindicação econômica do movimento grevista. Os estudantes buscam a ampliação da política de permanência e o reajuste dos auxílios em resposta ao aumento do custo de vida, além de garantias contra perseguições políticas.
Os mediadores criticaram a postura da reitoria em relação ao financiamento das universidades estaduais, sugerindo que a gestão da USP deveria adotar uma posição mais firme na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, considerando os impactos da política orçamentária do governo atual.
A avaliação registrada na ata destaca que as mudanças na Lei Orçamentária estadual têm aumentado os riscos ao financiamento das universidades públicas, e que a reitoria deveria agir de forma mais incisiva perante o governo e o Legislativo paulista.
