Operação contra Castro intensifica crise em bastião de Flávio Bolsonaro

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Operação da Polícia Federal intensifica crise na base eleitoral de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.

A nova operação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, traz à tona a fragilidade das articulações do senador Flávio Bolsonaro em sua base eleitoral.

Desde a renúncia de Castro ao cargo, em março, sua pré-candidatura ao Senado enfrenta desafios crescentes, com aliados temendo que sua situação se torne insustentável. A preocupação é que os desdobramentos da operação afetem não apenas a candidatura de Castro, mas também a campanha de Flávio e do deputado Douglas Ruas, atual presidente da Alerj.

O estado do Rio de Janeiro é considerado estratégico na disputa presidencial, sendo a base eleitoral da família Bolsonaro. Historicamente, a região foi dominada pelo PT, mas nas últimas eleições, Jair Bolsonaro conquistou a vitória. O colégio eleitoral fluminense é o terceiro maior do Brasil, o que aumenta a importância das movimentações políticas locais.

A operação desta terça-feira investiga a transferência de R$ 3,7 bilhões do fundo de pensão dos servidores do estado para o Banco Master e fundos associados. Essa ação ocorre apenas 11 dias após outra operação que examinou a relação de Castro com um empresário acusado de sonegação fiscal.

As suspeitas sobre os investimentos do Rioprevidência não são novas e já eram conhecidas por membros do PL. A apreensão entre os aliados de Castro se intensifica com a revelação de diálogos entre ele e um investigado, que podem prejudicar a imagem do senador Flávio, especialmente em relação a áudios já divulgados.

Na semana passada, havia um movimento dentro do PL que defendia a continuidade do apoio a Castro, apostando em sua popularidade em ascensão após a Operação Contenção. No entanto, a situação mudou drasticamente, com novos temores sobre a influência negativa que a presença de Castro pode ter na candidatura de Douglas Ruas, que ainda é pouco conhecido entre os eleitores.

A associação entre Ruas e Castro tem sido um ponto focal na pré-campanha do ex-prefeito Eduardo Paes, que busca capitalizar sobre as dificuldades enfrentadas pelo grupo de Bolsonaro. As tensões no palanque bolsonarista se intensificaram desde o ano passado, quando Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, foi preso, impactando a imagem da família Bolsonaro na política estadual.

A condenação de Castro a inelegibilidade pelo TSE, devido a irregularidades em contratações de cabos eleitorais, apenas complicou ainda mais a situação. O vácuo de poder gerado por sua renúncia e a prisão de Bacellar permitiu a ascensão do desembargador Ricardo Couto ao Palácio Guanabara, que agora conduz uma investigação sobre a gestão anterior, aumentando a pressão sobre o PL.

As ações de Couto têm sido aproveitadas por Eduardo Paes, enquanto membros do PL expressam críticas. Recentemente, o presidente Lula também se associou à gestão do desembargador, incentivando-o a agir contra a corrupção no estado, o que pode gerar mais dificuldades para os candidatos da base bolsonarista.

Couto, por sua vez, defende que sua condução do Executivo é pautada pela neutralidade política, complicando ainda mais o cenário para os aliados de Bolsonaro no Rio de Janeiro.

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