Acordo entre UE e Mercosul e suas implicações para o agronegócio brasileiro
Acordo UE-Mercosul: Oportunidades e Desafios para o Agro Brasileiro
O esperado acordo entre a União Europeia e o Mercosul está prestes a ser assinado, com a data marcada para o dia 17. No entanto, para que o tratado entre em vigor, ainda será necessária a aprovação nos congressos dos países sul-americanos.
Embora o acordo abranja diversos setores, o agro se destaca como o ponto mais sensível nas negociações de livre comércio ao longo das últimas décadas. A resistência de produtores europeus, especialmente em relação à entrada de produtos sul-americanos, tem gerado protestos e preocupações sobre a competitividade.
O Brasil, um dos líderes mundiais na produção de alimentos, deve se beneficiar significativamente do acordo, já que a União Europeia é o segundo maior importador de produtos agropecuários brasileiros, atrás apenas da China.
A importância do acordo se intensifica para o Brasil, especialmente após a queda nas vendas para os EUA em 2025, em decorrência das tarifas elevadas impostas pelo governo americano. A expectativa é que o tratado traga um novo impulso para as exportações brasileiras.
O acordo prevê a eliminação de tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul. Isso permitirá que o Brasil aumente suas exportações de itens como café, frutas, peixes e óleos vegetais, cujas taxas de importação serão gradualmente zeradas.
As tarifas serão reduzidas em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, dependendo do produto. Contudo, carnes bovina e de frango terão cotas de exportação, pois são consideradas “sensíveis” pelos europeus devido à competição com a produção local.
➡️ Potencial para o Setor de Carnes
Um dos principais pontos de tensão no acordo diz respeito ao setor de carnes. Pecuaristas europeus, especialmente da França e da Polônia, temem perder mercado para os produtores sul-americanos, que oferecem preços mais competitivos.
Atualmente, a França é a líder na produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia se destaca na produção de frango. O Brasil, por sua vez, é o maior exportador global desses produtos.
A carne bovina brasileira, que atualmente enfrenta tarifas diferenciadas na UE, poderá ter suas taxas eliminadas com a aprovação do acordo. O Brasil poderá exportar até 99 mil toneladas de carne bovina anualmente, com uma tarifa inicial reduzida.
Para as carnes de aves, o Brasil terá uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero, aumentando gradualmente ao longo dos anos.
➡️ Potencial para o Café Solúvel
O café é o produto brasileiro mais vendido para a UE em termos de valor exportado. O acordo prevê a eliminação das tarifas sobre o café solúvel e torrado em um prazo de 4 anos, o que pode aumentar a competitividade do Brasil em relação a países como o Vietnã, que já desfruta de tarifas zero.
Além disso, a implementação do acordo pode atrair investimentos de empresas europeias na indústria de café brasileira, ampliando ainda mais as oportunidades de crescimento para o setor.
➡️ Impacto sobre a Soja
O acordo não deverá alterar o cenário da soja, que já conta com tarifa zero para grãos e farelos. No entanto, a expectativa é que o tratado traga maior previsibilidade e competitividade para os exportadores brasileiros, mesmo que o tratamento tarifário permaneça inalterado.
Blindagem do Agro Europeu e Desafios
As negociações também incluem cláusulas que podem suspender os benefícios tarifários do Mercosul se a UE considerar que as importações estão prejudicando setores locais. Isso gerou preocupações entre representantes do agronegócio brasileiro, que temem que essas salvaguardas possam limitar as exportações.
Essas medidas podem ser interpretadas como barreiras disfarçadas, dificultando o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu.
A proposta de um regulamento interno da UE que exige que os países do Mercosul adotem normas de produção semelhantes às da Europa também levanta questões sobre a segurança jurídica e a competitividade dos produtos brasileiros.
Benefícios Mútuos do Acordo
A União Europeia também se beneficiará com o acordo,
