Acordo entre UE e Mercosul promete benefícios para o agronegócio brasileiro

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Acordo UE-Mercosul pode transformar o agronegócio brasileiro

A cerimônia de assinatura do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul ocorrerá no Paraguai, reunindo representantes de Argentina, Brasil e Uruguai, países que compõem o bloco sul-americano. Para que o tratado entre em vigor, será necessária a aprovação nos congressos dos países envolvidos.

O acordo prevê a eliminação das tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários que a UE importa do Mercosul. Essa mudança permitirá que o setor agropecuário brasileiro amplie suas vendas de produtos como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão suas taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.

As tarifas serão reduzidas de forma gradual, com prazos que podem variar entre 4 e 10 anos, dependendo do produto. Itens como carne bovina e de frango terão cotas de exportação com impostos menores, sendo considerados “sensíveis” pelos europeus, pois competem diretamente com a produção local.

Contudo, essa competição gerou protestos significativos entre os produtores europeus, mesmo após a aprovação do acordo pela UE. O setor agro não é o único afetado pelo tratado, mas tem sido o ponto mais sensível nas longas negociações de livre comércio.

O Brasil, reconhecido como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deverá se beneficiar significativamente do acordo, já que a UE é o segundo maior cliente do agronegócio brasileiro, atrás apenas da China.

O acordo se torna ainda mais estratégico para o Brasil, especialmente após a queda nas vendas do agronegócio para os EUA em 2025, devido ao aumento de tarifas imposto pelo governo americano.

O potencial do acordo é vasto e se estende a diversos setores. No setor de carnes, por exemplo, os pecuaristas europeus, especialmente da França e Polônia, demonstram resistência ao tratado, temendo a perda de competitividade para os sul-americanos.

Atualmente, a França é líder na produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia se destaca na produção de frango. O Brasil, por sua vez, é o maior exportador global desses produtos e oferece preços mais competitivos.

A carne bovina brasileira enfrenta atualmente duas tarifas na UE. A cota Hilton, que permite a exportação de cortes nobres com uma taxa de 20%, será zerada se o acordo for aprovado. Outros cortes têm uma taxa de 12,8% mais 221,1 euros por 100 kg, que também poderá ser eliminada com a nova cota de exportação do Mercosul.

Com o tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar até 99 mil toneladas de carne bovina por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%. No entanto, esse volume é inferior às 128 mil toneladas que o Brasil exportou sozinho para a UE no ano anterior.

Para as carnes de aves, uma lógica semelhante se aplica, com diferentes cotas de acesso à UE. Atualmente, o Brasil pode exportar 15.050 toneladas de frango in natura sem tarifas, enquanto volumes adicionais pagam uma taxa. Com o acordo, haverá uma cota anual de 180 mil toneladas sem tarifas, aumentando gradualmente ao longo de seis anos.

O café é outro produto de destaque nas exportações brasileiras para a UE, sendo o mais vendido em valor. O café em grão já entra na Europa sem tarifas, mas o café solúvel e o torrado e moído enfrentam taxas que o acordo pode eliminar em um prazo de quatro anos.

Por outro lado, a soja, que é o segundo produto mais exportado pelo Brasil para a UE, não deverá ser impactada pelo acordo, já que já conta com tarifa zero.

As salvaguardas propostas no acordo, que permitem a suspensão temporária dos benefícios tarifários se a UE considerar que o setor agro local está sendo prejudicado, geram preocupação entre os produtores brasileiros. Essas regras poderiam limitar as exportações e contradizem a intenção de um acordo de livre comércio.

A UE também se beneficiará do acordo, podendo aumentar suas exportações de produtos como carros, máquinas e itens agrícolas para o Mercosul, além de reduzir sua dependência de minerais da China.

O acordo de livre comércio UE-Mercosul, que se arrasta desde os anos 90, abrange não apenas produtos agrícolas, mas também bens industriais. As discussões começaram

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