América Latina implementa trabalho híbrido e enfrenta desafios no ambiente digital
A maturidade do Digital Workplace é essencial para o futuro do trabalho na América Latina.
A revolução do trabalho já ocorreu, mas a modernização ainda enfrenta desafios. Na América Latina, o modelo híbrido de trabalho, que combina presença física e flexibilidade remota, é adotado, mas frequentemente se limita à simples alternância entre casa e escritório. Essa abordagem carece de processos robustos, liderança eficaz e tecnologia adequada.
Um estudo internacional revela que a média de trabalho remoto na América Latina é de apenas um dia por semana, inferior a mercados anglófonos e parte da Europa. Este dado não apenas reflete uma preferência cultural, mas também aponta para um limite operacional. A flexibilidade se torna ineficaz quando não é acompanhada por processos e governança adequados.
Apesar disso, muitas empresas optam por soluções rápidas. A compra de plataformas é vista como um sinal de transformação, mas logo surgem problemas. As falhas nas integrações, contradições nas políticas e exceções criadas por diferentes áreas se tornam comuns. Além disso, a tecnologia disponível muitas vezes não é utilizada em sua totalidade, levando a uma percepção negativa sobre seu retorno de investimento.
Uma pesquisa recente aponta que o regime híbrido de trabalho caiu de 62% em 2022 para 45% em 2025, enquanto o trabalho presencial obrigatório aumentou de 9% para 49%. Quando as organizações perdem consistência, o modelo de trabalho se torna uma variável a ser ajustada, desviando-se do ideal para o controle.
Um Digital Workplace maduro oferece novas formas de trabalho, substituindo o foco no “dia de escritório” por um design intencional do trabalho. Isso promove autonomia, colaboração assíncrona e decisões com rastreabilidade. No entanto, menos da metade dos profissionais se sente apoiada adequadamente em ferramentas e processos para trabalhar de forma eficiente de qualquer lugar.
No Brasil e na América Latina, a fragmentação do Digital Workplace é um problema significativo. A falta de uma visão unificada resulta em múltiplos responsáveis e orçamentos competindo entre si, sem foco em indicadores que realmente importam, como retenção e qualidade do trabalho em rede.
A pressão aumentou com a adoção da inteligência artificial, que subiu de 55% para 78% entre as organizações em um ano. Contudo, a presença da tecnologia não garante resultados positivos. A capacidade de utilizar a tecnologia de forma criativa e crítica é essencial para que a IA traga benefícios reais.
Um aspecto crucial é a competência organizacional. A maioria dos empregadores na América Latina planeja capacitar sua força de trabalho internamente, revelando a urgência por uma abordagem mais estruturada. Um Digital Workplace eficaz requer funções claras, métodos consistentes e formação contínua.
A maturidade no Digital Workplace começa com decisões estruturais, como designar um responsável executivo pela experiência digital do colaborador. É necessário unificar a arquitetura, padrões e governança, além de medir indicadores relevantes para o negócio.
A América Latina já demonstrou agilidade em flexibilizar o trabalho, mas agora é hora de mostrar maturidade para mantê-lo. O atraso no desenvolvimento do Digital Workplace é resultado de escolhas de liderança e investimento em capacidade humana. As empresas que veem a experiência digital como um ativo estratégico são as que se destacam, passando de uma modernização superficial para uma competitividade duradoura.
