André Mendonça é designado relator do inquérito do Banco Master no STF
André Mendonça assume relatoria de inquérito sobre irregularidades no Banco Master.
O ministro André Mendonça foi designado como o novo relator do inquérito que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança foi oficializada em uma reunião que ocorreu na sede do tribunal, onde os dez ministros da Corte assinaram uma nota confirmando a redistribuição após a saída do ministro Dias Toffoli da condução do caso.
No comunicado, os magistrados afirmaram que a arguição de suspeição contra Toffoli, baseada no Código de Processo Penal e no Regimento Interno do STF, não tinha fundamento. Além disso, reconheceram a validade de todos os atos realizados por Toffoli durante sua relatoria, expressando apoio ao colega e destacando que ele atendeu a todos os pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A decisão de redistribuir o inquérito foi feita a pedido do próprio Toffoli, que, citando “altos interesses institucionais”, submeteu a questão à Presidência do STF. A presidência acolheu a solicitação e determinou a redistribuição do processo, além de tomar as medidas necessárias para extinguir a arguição de suspeição e encaminhar os autos ao novo relator.
Com esta mudança, Mendonça assume a responsabilidade por um dos casos mais delicados atualmente no STF. A investigação se concentra em suspeitas de fraudes financeiras bilionárias ligadas ao Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. O inquérito teve grande repercussão política e institucional, especialmente após decisões polêmicas na fase inicial e a apresentação de um pedido de suspeição contra Toffoli por parte da Polícia Federal.
A nova fase do caso sob a relatoria de Mendonça implica na condução das próximas diligências e na análise de eventuais solicitações da PGR, além de decidir sobre o andamento das investigações, que continuam sob sigilo parcial.
Durante a relatoria de Toffoli, o caso foi marcado por decisões controversas, incluindo viagens com partes do processo e a retirada da análise de provas da Polícia Federal. O gabinete do ministro, diante das críticas, negou qualquer vínculo pessoal ou financeiro com os envolvidos.
A investigação do Banco Master foi instaurada após a liquidação extrajudicial da instituição, em meio a indícios de fraudes relacionadas a carteiras de crédito sem lastro. Toffoli estava à frente do inquérito desde dezembro, quando o caso foi enviado ao STF devido à menção de uma autoridade com foro privilegiado.
Além disso, em janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou três representações feitas por parlamentares da oposição que pediam o afastamento de Toffoli da relatoria do inquérito.
