André Mendonça se reúne com delegados da PF para discutir o caso Master
Ministro André Mendonça assume relatoria de inquéritos sobre o Banco Master e INSS.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), conduziu na tarde desta sexta-feira (13) uma videoconferência com delegados da Polícia Federal responsáveis pela investigação do Banco Master, que é alvo de apurações por fraude financeira. Esta reunião marca o início de sua atuação como relator do caso, focando na avaliação da situação atual da investigação e na definição dos próximos passos a serem tomados.
Este é o primeiro dia de Mendonça à frente do caso, após a relatoria ter sido anteriormente ocupada pelo ministro Dias Toffoli. Toffoli decidiu abrir mão da função na noite de quinta-feira (12), em resposta a pressões da Polícia Federal e de parlamentares, que levantaram preocupações quanto a possíveis conflitos de interesse.
Com a mudança na relatoria, a validade das decisões anteriores de Toffoli permanece intacta, uma vez que sua entrega não foi formalizada como uma declaração de suspeição. Os demais ministros do STF também apoiaram a condução do caso, reconhecendo a imparcialidade das ações já realizadas.
Além de sua nova responsabilidade sobre o inquérito do Banco Master, Mendonça também é o relator do caso que investiga desvios relacionados a descontos associativos para aposentados e pensionistas do INSS.
Motivos da entrega da relatoria
A decisão de Dias Toffoli em renunciar à relatoria do caso Master ocorreu após um pedido formal da Polícia Federal ao presidente do STF, Edson Fachin. A PF argumentou que havia indícios de conflitos de interesse envolvendo Toffoli, baseando-se em uma análise das mensagens contidas no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
As conversas de Vorcaro com outros investigados mencionavam transferências de dinheiro que envolviam Toffoli. O ministro confirmou ser sócio da Maridt Participações, uma empresa que até 2025 foi co-proprietária do resort Tayayá, localizado no Paraná. As ações do resort foram vendidas a Fabiano Zettel, que é cunhado de Vorcaro.
Além do pedido da Polícia Federal, o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, também solicitou à Procuradoria-Geral da República o afastamento de Toffoli, argumentando que a relação comercial do ministro poderia comprometer a imparcialidade necessária para a condução do caso.
O pedido da PF gerou críticas entre os outros ministros do STF, que emitiram uma nota em apoio a Toffoli, ressaltando que ele havia atendido todas as demandas da Polícia Federal. Apesar do respaldo, o relator optou por entregar o inquérito a Mendonça.
