Apagão de internet no Irã completa uma semana e levanta dúvidas sobre o estado de familiares em meio à guerra

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Bloqueio de internet no Irã agrava a situação durante conflitos militares.

O Irã enfrenta um severo bloqueio de internet que dificulta a comunicação interna e externa, especialmente em meio a protestos e ataques militares. O regime frequentemente corta o acesso à rede durante momentos de agitação social.

No último sábado, a plataforma de monitoramento NetBlocks registrou mais de 168 horas de apagão, com a conectividade reduzida a apenas 1% dos níveis normais. Essa situação torna tarefas cotidianas, como utilizar o Google Maps ou acessar informações, quase impossíveis, limitando-se a uma intranet local restrita.

Com a conectividade severamente comprometida, a comunicação entre os iranianos e seus familiares no exterior se tornou um desafio angustiante. Muitas pessoas relatam a dificuldade de saber se seus entes queridos estão seguros, especialmente em um contexto de ataques militares.

Preocupação dos iranianos no exterior

O bloqueio de internet tem gerado grande preocupação entre os iranianos que vivem fora do país. Avedian, membro de uma associação juvenil na Alemanha, expressou o estresse de não conseguir contato com seus familiares no Irã, destacando que a incerteza sobre a segurança deles é angustiante.

“Quando acordo de manhã, minha primeira pergunta é: ‘Meus pais ainda estão vivos? Estão ilesos?’

O medo persiste mesmo quando não há ataques diretos nas áreas onde seus familiares residem, pois a falta de comunicação impede qualquer confirmação de segurança.

Outro relato vem de Mitra B., que deixou o Irã após a Revolução Islâmica e agora vive na Alemanha. Ela também não teve notícias de sua tia e expressa esperança de que ela esteja bem e que o regime iraniano mude em breve.

Iranianos tentam contornar o bloqueio

Enquanto a maioria da população iraniana enfrenta dificuldades de acesso à internet, uma minoria ligada ao regime ainda consegue se conectar através de “chips brancos”, cartões pré-pagos que garantem acesso irrestrito. Estima-se que existam mais de 50 mil desses chips no país, permitindo que alguns usuários continuem ativos nas redes sociais e disseminem propaganda governamental.

Para a maioria, no entanto, a comunicação permanece complicada. Telefonar para o Irã a partir do exterior tornou-se quase impossível, e muitos relatam breves momentos de conexão que permitem o envio de mensagens.

Alguns iranianos têm recorrido a ferramentas como VPNs e plataformas para burlar a censura, mas isso gerou alertas das autoridades para que as pessoas evitem se conectar à internet. Essa situação não só dificulta a cobertura jornalística, mas também contribui para a desinformação, com relatos favoráveis ao regime ocupando o espaço deixado pela falta de informações independentes.

Risco adicional aos iranianos

A suspensão dos serviços de internet apresenta riscos adicionais, pois os militares israelenses frequentemente emitem alertas antes de ataques aéreos, orientando civis a evacuarem áreas específicas. Com o apagão digital, o acesso a essas informações vitais é severamente limitado, colocando vidas em risco.

“Mesmo alertas importantes e pedidos de evacuação não chegam a muitas pessoas a tempo porque a internet no Irã é deliberadamente desligada”, afirmou Avedian.

Pesquisadores ressaltam que o apagão da internet é um problema social, dificultando a organização de protestos e a disseminação de informações sobre abusos do regime. O fim do bloqueio é visto como essencial para permitir que os iranianos exilados ajudem a garantir que informações cruciais cheguem ao mundo exterior.

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