Apoio da Itália pode facilitar aprovação do acordo UE-Mercosul nesta sexta-feira
Itália sinaliza apoio ao acordo comercial com o Mercosul, impulsionando negociações após 25 anos.
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul pode finalmente ser ratificado. A Itália, que até então hesitava, anunciou seu apoio ao tratado, o que pode ser decisivo para a aprovação na reunião do bloco europeu marcada para esta sexta-feira.
A mudança de postura da Itália é significativa, especialmente considerando a preocupação do governo italiano com os impactos do acordo no setor agrícola. A decisão de apoiar o tratado surge após meses de debates internos e pressões de diversos setores econômicos.
José Pimenta, diretor de Comércio Internacional de uma consultoria, destaca que a Itália se tornou um ator crucial neste momento. O país é considerado um “grande player” na fase final de aprovação do acordo, pois seu voto tem um peso estratégico no Conselho Europeu, onde é necessária uma maioria qualificada que represente ao menos 65% da população da UE.
“Sem a Itália, que é um país populoso, fica muito difícil atingir esse patamar. Se ela se alinhar à França, o acordo pode sofrer um revés. Por outro lado, caso fique ao lado de Alemanha e Espanha, o tratado fica praticamente aprovado na UE”, afirma Pimenta.
- 🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de estabelecer regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
A professora Regiane Bressan, especialista em Relações Internacionais, ressalta que a Itália pode exercer um “voto de Minerva” na votação, uma vez que a França se opõe firmemente ao acordo e outros países ainda estão indecisos. A posição da Itália será fundamental para determinar o futuro do tratado.
“A forma como a Itália se posicionar vai definir se o acordo avança ou não”, afirma Bressan.
Para que o tratado seja aprovado, é necessário reunir pelo menos 15 votos que representem 65% da população da União Europeia. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, se comprometeu a avançar com a assinatura do acordo, destacando a necessidade de atender às preocupações dos agricultores locais.
Meloni havia expressado anteriormente que a distribuição de verbas para a agricultura na UE estava prejudicando a Itália, o que dificultava a assinatura do acordo. A nova postura indica um esforço para equilibrar os interesses agrícolas e comerciais do país.
Enquanto isso, a França continua a ser um dos principais opositores do acordo, preocupada com a concorrência de produtos latino-americanos, que poderiam impactar negativamente seus agricultores. Outros países, como Irlanda, Hungria e Polônia, também se alinham a essa resistência.
- 👉 A lista de produtos que ficarão barrados inclui abacates, mangas e outras frutas, caso apresentem resíduos de fungicidas e herbicidas vetados na Europa.
Por outro lado, Alemanha e Espanha mantêm uma posição de apoio ao tratado, argumentando que ele pode ajudar a mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência da UE em relação à China, ampliando o acesso a novos mercados.
“Se a União Europeia quiser manter credibilidade na política comercial global, decisões precisam ser tomadas agora”, declarou o chanceler alemão.
O acordo não se limita à área agrícola, abrangendo também regras para indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, o que explica o suporte de diversos setores econômicos, em um momento crucial para a integração comercial entre os blocos.
