Arábia Saudita Pode Aumentar Suas Reservas de Urânio com Novo Acordo com os EUA, Afirmam Especialistas
Possível acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita gera preocupações sobre proliferação.
A Arábia Saudita está em negociações com os Estados Unidos para um acordo que pode permitir o enriquecimento de urânio em seu território. Documentos do Congresso americano e de uma organização de controle de armas indicam que essa possibilidade levanta sérias preocupações sobre a proliferação nuclear, especialmente em um contexto de tensão com o Irã.
Os presidentes Donald Trump e Joe Biden tentaram estabelecer um acordo com a Arábia Saudita para compartilhar tecnologia nuclear dos EUA. Especialistas em não proliferação alertam que a implementação de um programa nuclear no país pode abrir caminho para o desenvolvimento de armas nucleares, algo que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já insinuou como uma possibilidade caso o Irã consiga desenvolver uma bomba atômica.
Recentemente, a Arábia Saudita e o Paquistão assinaram um pacto de defesa mútua, especialmente após um ataque de Israel ao Catar que teve como alvo membros do Hamas. O ministro da Defesa paquistanês afirmou que o programa nuclear de seu país estaria disponível para a Arábia Saudita se necessário, uma declaração que é vista como um aviso a Israel, o único país do Oriente Médio conhecido por possuir armas nucleares.
“A cooperação nuclear pode ser um mecanismo positivo para reforçar normas de não proliferação e aumentar a transparência, mas o problema está nos detalhes”, afirmou uma especialista em política de não proliferação.
Essa especialista expressou preocupações de que o governo Trump não tenha considerado adequadamente os riscos de proliferação associados ao acordo proposto com a Arábia Saudita, bem como o precedente que isso pode estabelecer.
A Arábia Saudita não respondeu imediatamente a questionamentos sobre o acordo. Documentos do Congresso sugerem que os EUA pretendem firmar 20 acordos comerciais nucleares com países ao redor do mundo, incluindo a Arábia Saudita, o que poderia representar um contrato de bilhões de dólares.
O rascunho do acordo prevê que os EUA e a Arábia Saudita estabeleçam salvaguardas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que regulamenta o setor nuclear e garante que os países não mantenham programas secretos de armas.
A AIEA ainda não comentou sobre o assunto. A Arábia Saudita é membro da agência e, embora promova o uso pacífico da energia nuclear, está sob vigilância para evitar a proliferação de armas nucleares.
A proposta sugere que, uma vez firmado o acordo de salvaguardas, a Arábia Saudita poderá adquirir tecnologia ou capacidade de enriquecimento de urânio, possivelmente até mesmo dos próprios Estados Unidos.
Embora o enriquecimento de urânio não leve automaticamente à produção de uma arma nuclear, ele é um passo importante nesse processo. Além disso, o controle técnico e a coordenação de explosivos são etapas cruciais que a Arábia Saudita precisaria dominar.
Os Emirados Árabes Unidos, vizinhos da Arábia Saudita, firmaram um acordo com os EUA para construir uma usina nuclear, mas renunciaram ao enriquecimento de urânio, um modelo considerado seguro para países que desejam energia nuclear sem riscos de proliferação.
Proposta surge em meio à tensão com o Irã
As negociações entre sauditas e americanos avançam em um momento de crescente tensão com o Irã. Trump tem ameaçado ação militar contra o país caso não haja um acordo sobre seu programa nuclear, o que se intensificou após protestos no Irã reprimidos violentamente pelo governo.
O Irã defende que seu programa de enriquecimento é pacífico, mas países ocidentais e a AIEA afirmam que o país manteve um programa militar até 2003. O Irã também já enriqueceu urânio a níveis próximos do necessário para uso bélico, o que gera preocupações internacionais.
Embora o líder supremo do Irã tenha declarado que a construção de uma bomba atômica é proibida por uma fatwa, as autoridades iranianas têm mencionado a busca por armas nucleares à medida que as tensões com os EUA aumentam.
O príncipe herdeiro saudita já declarou que, se o Irã obtiver a bomba, a
