Arábia Saudita reconsidera projeto The Line, que se transforma em centro de dados devido a altos custos

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Arábia Saudita reavalia o projeto NEOM em meio a cortes orçamentários significativos.

Uma nova auditoria interna sugere que o projeto NEOM, ambicioso empreendimento da Arábia Saudita, deve ser drasticamente reduzido, aproveitando apenas o que já foi construído. A proposta inclui redirecionar objetivos e orçamentos, refletindo compromissos anteriores do país, como a realização da Exposição Mundial de 2030 e da Copa do Mundo de 2034.

A auditoria, que está prestes a ser finalizada, apresenta um cenário sem alternativas, forçando o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman a reconsiderar o escopo do projeto. A necessidade de cortes e reestruturações transforma o NEOM em uma iniciativa muito menor do que o inicialmente planejado.

Os preços do petróleo, que continuam em declínio, impactaram severamente a saúde financeira do Fundo de Investimento Público saudita, que possui cerca de 1 bilhão de dólares destinados ao NEOM. Com a diminuição do crescimento desse fundo e a necessidade de investimentos massivos, o príncipe Mohammed é pressionado a ajustar expectativas e buscar retornos imediatos com as estruturas já existentes.

O que é o NEOM

Lançado em 2017, o projeto NEOM foi concebido como um pilar para a diversificação econômica da Arábia Saudita, visando uma transição de uma economia dependente de petróleo e gás natural para uma baseada em turismo, investimentos e energia renovável. Este projeto abrange diversas iniciativas de grande escala em uma área equivalente ao tamanho da Bélgica, localizada na costa do Mar Vermelho.

The Line, a principal atração do projeto, projetava-se como uma cidade linear de 170 quilômetros, com edifícios de 500 metros de altura, isenta de carros e ruas, e totalmente abastecida por energia renovável. A expectativa era que, até 2030, essa cidade abrigasse 1,5 milhão de pessoas, com um custo estimado em 500 bilhões de dólares. Contudo, a primeira fase do projeto já sofreu um corte significativo, reduzindo seu comprimento para 2,4 quilômetros.

Fontes indicam que a Arábia Saudita está começando a reconhecer as falhas do projeto original, priorizando o que já foi realizado. Assim, The Line pode se transformar em um centro de dados, posicionando o país na corrida pela inteligência artificial, ao invés de manter a visão de uma megalópole futurista.

Essa mudança de estratégia reflete a busca por metas mais tangíveis e retornos rápidos sobre o capital investido, abandonando a ideia de arranha-céus infinitos no deserto. Além disso, cortes de 8 bilhões de dólares do Fundo de Investimento Público para os cinco principais megaprojetos representam uma redução de 12,4% em sua avaliação total.

Uma estação de esqui no deserto

Os cortes também impactam a construção de Trojena, uma estação de esqui planejada para ser sede dos Jogos Asiáticos de Inverno de 2029. O Conselho Olímpico da Ásia anunciou o adiamento do evento, o que especialistas atribuem diretamente aos cortes orçamentários.

O projeto, inicialmente orçado em aproximadamente 19 bilhões de dólares, previa 30 km de pistas de esqui em uma região desértica, o que representa um desafio significativo para a manutenção da neve artificial. O adiamento levanta incertezas sobre o futuro de outros projetos e eventos aos quais a Arábia Saudita já se comprometeu, como a construção de um estádio de futebol no topo de The Line.

Imagem: NEOM

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