Argentina registra adesão de mais de 90% dos sindicatos à greve geral
Greve na Argentina mobiliza mais de 90% dos sindicatos contra reforma trabalhista de Milei.
A Argentina viveu uma intensa paralisação na quinta-feira, 19 de fevereiro, em resposta ao projeto de reforma trabalhista proposto pelo presidente Javier Milei. A greve, que durou 24 horas, contou com a adesão significativa do setor sindical.
De acordo com a Confederação Geral do Trabalho da Argentina, mais de 90% dos sindicatos do país se uniram ao movimento. O secretário-geral da CGT, Jorge Sola, destacou a importância da ação como uma demonstração da insatisfação com a atual situação econômica e social, incluindo a perda de empregos e o aumento da desigualdade.
“Demonstramos, mais uma vez, nossa reivindicação diante da perda de empregos, da queda do poder de compra das famílias argentinas, dos cortes nos serviços de saúde e da desestruturação do tecido social e produtivo do nosso país”, afirmou Sola, ressaltando a gravidade da crise enfrentada pela população.
A greve teve um impacto significativo nas atividades do país, especialmente no setor de transportes, que paralisou trens, metrôs e voos. Apenas algumas linhas de ônibus que não aderiram ao movimento continuaram funcionando. A Aerolíneas Argentinas, a principal companhia aérea do país, cancelou 255 voos, afetando cerca de 31 mil passageiros.
Cristian Jeronimo, outro líder da CGT, enfatizou a força do movimento, afirmando que a confederação demonstrou sua capacidade de mobilização em defesa dos interesses dos trabalhadores em todo o território argentino.
Principais pontos da reforma
- Indenizações reduzidas: exclui 13º, férias e bônus da base de cálculo em demissões sem justa causa;
- Jornada de trabalho: aumenta a carga horária permitida de oito para 12 horas diárias, desde que respeitado o período de descanso de 12 horas entre os dias de trabalho;
- Horas extras: propõe um banco de horas como alternativa ao pagamento de horas extras;
- Salários flexíveis: permite o pagamento em pesos ou moeda estrangeira e introduz salários “dinâmicos”, baseados em produtividade ou mérito individual;
- Licenças e férias: reduz pagamentos em casos de doença voluntária ou de risco, e estabelece que férias podem ser divididas em períodos mínimos de sete dias.
