Assessoria de Trump visita Bolsonaro e gera polêmica sobre ingerência segundo Vieira
Ministro das Relações Exteriores manifesta preocupação com visita de assessor americano a Bolsonaro.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou um ofício ao STF expressando sua preocupação com a possível visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Vieira destacou que tal encontro poderia ser interpretado como uma “indevida ingerência” dos EUA nos assuntos internos do Brasil.
O chanceler ressaltou que a visita de um funcionário de um Estado estrangeiro a um ex-presidente em um ano eleitoral pode configurar uma interferência inaceitável. Ele também mencionou que o pedido de reunião de Beattie não se alinha com os objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado americano.
De acordo com informações da Embaixada dos Estados Unidos, a viagem de Beattie seria para participar do Fórum Brasil EUA de Minerais Críticos, um evento que aborda a cooperação entre os dois países em relação a recursos estratégicos.
Darren Beattie foi autorizado a visitar Bolsonaro em sua cela no quartel do 19º Batalhão da PMDF, no Complexo da Papuda, no dia 18. A decisão do ministro Alexandre de Moraes também garantiu ao assessor o direito de levar um intérprete, desde que o nome fosse previamente informado.
A data da visita não agradou a Bolsonaro, que já tinha compromissos agendados para o mesmo dia. Sua defesa solicitou que a visita fosse remarcada para os dias 16 ou 17, mas o pedido foi negado por Moraes.
Após autorizar a visita, Moraes também oficiou o Ministério das Relações Exteriores, solicitando informações sobre a agenda diplomática de Beattie e pedindo que o Itamaraty verificasse junto à Embaixada se o assessor realmente pretende se encontrar com o ex-presidente.
Histórico de Beattie
Darren Beattie, assessor de Donald Trump, é conhecido por sua atuação em políticas relacionadas ao Brasil. Ele já fez declarações públicas criticando decisões do STF e chamou o ministro Alexandre de Moraes de “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”.
O Departamento de Estado dos EUA descreve Beattie como um “defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática”. Sua visita ocorre em um contexto de tensões diplomáticas, especialmente após declarações suas nas redes sociais sobre o julgamento de Bolsonaro, que levaram o Ministério das Relações Exteriores a convocar o diplomata americano em Brasília.
Além disso, há discussões nos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras. O governo brasileiro observa essa questão com preocupação, temendo que isso possa resultar em intervenções externas.
Após a aplicação de sanções norte-americanas contra Moraes em 2025, o deputado Eduardo Bolsonaro expressou publicamente seu agradecimento a Beattie por suas ações nas redes sociais.
