B3 e Atos lançam plataforma de ESG com inteligência artificial para padronização de dados de sustentabilidade
B3 lança nova versão de plataforma ESG com inteligência artificial para investidores.
A B3 apresentou esta semana a nova versão de sua plataforma de dados ESG, chamada ESG Workspace. Desenvolvido em colaboração com a Atos, o portal visa facilitar o acesso a informações sobre índices de sustentabilidade de empresas brasileiras listadas na bolsa, de forma padronizada e com o suporte de inteligência artificial generativa, permitindo que usuários façam perguntas específicas sobre os documentos disponíveis.
O projeto busca simplificar a identificação de riscos e oportunidades para investidores, tanto internos quanto externos. Além disso, as empresas listadas na B3 poderão medir e comparar suas performances com outras organizações, promovendo uma maior transparência e eficiência no mercado.
“Esses dados sempre existiram, mas a falta de padronização dificultava a comparação. O que fizemos foi uma grande coleta com base em IA para padronizar. Agora é possível comparar o consumo de energia, por exemplo, em gigajoule, de várias organizações de forma uniforme”, afirma a gerente de sustentabilidade da B3 e idealizadora do projeto.
Versão 3.0
Esta não é a primeira versão da solução. Lançado inicialmente em 2022, o ESG Workspace surgiu como uma plataforma centralizadora de dados ESG, operando inicialmente como um espaço digital de transparência, divulgando o índice de sustentabilidade empresarial da companhia, o IziB3.
A versão 2.0, lançada dois anos depois, introduziu uma proposta colaborativa entre investidores, empresas listadas e academia. Nesta fase, os usuários já podiam acessar os índices das organizações, mas todos os relatórios eram gerados manualmente, o que tornava o processo moroso e ineficiente.
“Levávamos cerca de duas semanas para coletar dados de dez companhias. Queríamos criar um hub colaborativo para as empresas que desejavam prestar contas, mas o processo era desafiador”, relata.
Com o intuito de automatizar o processamento de informações, a B3 buscou a parceria com a Atos, firmada no final de 2024, que deu início a uma série de etapas para tornar o ESG Workspace uma plataforma funcional.
A primeira etapa, segundo a líder de IA e Machine Learning da Atos na América do Sul, foi implementar um extrator de dados e organizar o banco de dados. “Começamos por algo que pudesse extrair informações dos documentos PDF que as empresas enviavam à B3. Essas informações foram organizadas em um banco de dados confiável para alimentar a IA posteriormente”, explica.
O objetivo era construir uma base de dados altamente confiável. O processo durou cerca de dois meses e exigiu uma equipe considerável de profissionais, resultando em uma coleta de dados que passou de duas semanas para uma hora, com mais de 80% de assertividade.
Atualmente, o portal possui informações de 82% das empresas listadas na B3, totalizando 251 companhias de um total de 306. Organizações em recuperação judicial e extrajudicial não foram consideradas, conforme o índice de negociabilidade de janeiro de 2025. Para a solução, foram criados 85 indicadores, com 84 mil pontos de dados coletados.
Com os dados organizados, a próxima fase foi a implementação da inteligência artificial. “A informação, estando no banco de dados, não serve de nada se não for utilizada. Por isso, começamos a pensar na IA”, afirma a líder da Atos. A arquitetura multiagente foi escolhida para fornecer insights e cruzar informações, prevenindo possíveis erros.
A construção dos agentes levou cerca de cinco meses, e os chats ainda estão em fase beta para os usuários finais. “Estamos analisando o padrão de uso dos clientes da B3. Treinamos o chatbot com base no nosso entendimento, mas agora queremos entender quais perguntas os clientes costumam fazer para validar esse padrão”, detalha.
Tecnologia brasileira
Embora inspirada em plataformas de outras bolsas de valores, como a Nasdaq, esta é a primeira solução desenvolvida com parâmetros adaptados à realidade brasileira. Isso permite que as companhias nacionais sejam avaliadas de forma mais justa, facilitando o investimento interno e externo.
<p“As leis e indicadores do Brasil são diferentes dos mercados europeu e americano. Muitas vezes, uma empresa não se sai bem em um índice externo porque a avaliação não condiz com a
