Banco Central é criticado por demora na liquidação do Master, aponta associação
Demora do Banco Central em agir levanta críticas sobre a liquidação do Banco Master.
O presidente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (Abai), Diego Ramiro, de 39 anos, expressou preocupações sobre a demora do Banco Central em decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, que ocorreu em 18 de novembro de 2025. Segundo ele, já havia indícios de problemas financeiros na instituição um ano antes da decisão do órgão regulador.
Ramiro destacou que as informações sobre a situação do Banco Master não eram novas e que já se arrastavam desde gestões anteriores. A questão levantou um alerta sobre a necessidade de uma supervisão mais rigorosa por parte das autoridades financeiras.
Em novembro de 2024, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, havia dado um ultimato ao Banco Master, exigindo que a instituição adotasse medidas para melhorar sua administração e saúde financeira. Pouco depois, em janeiro de 2025, Gabriel Galípolo assumiu a liderança da autarquia.
O especialista considera o caso do Banco Master como uma das maiores fraudes do sistema bancário brasileiro, apontando falhas de múltiplos envolvidos, incluindo o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de distribuidoras e investidores. Ele enfatiza que a responsabilidade é coletiva e que a situação evidenciou falhas que precisam ser corrigidas.
DANIEL VORCARO
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, declarou que a instituição estava cumprindo os compromissos assumidos com o Banco Central, destacando a melhoria na governança e capital do banco. A defesa mencionou uma transação com o Banco de Brasília (BRB), que adquiriu ativos do Master e tentou, sem sucesso, adquirir a instituição.
Em nota, a defesa afirmou que o Banco Master estava adotando as medidas pactuadas, incluindo o reforço de governança e capital, além de ajustes operacionais e venda de ativos. Segundo a defesa, até o momento da liquidação, o banco permanecia solvente, com ativos superiores aos passivos, conforme demonstrado em suas demonstrações financeiras auditadas.
Vorcaro segue colaborando com as autoridades competentes e acredita que uma investigação técnica completa esclarecerá o contexto das decisões administrativas tomadas.
FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITOS
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá que arcar com cerca de R$ 47 bilhões para reembolsar clientes do Banco Master e do Will Bank, após a liquidação extrajudicial das duas instituições. Este valor representa o maior prejuízo já enfrentado pelo FGC, que assegura o reembolso de até R$ 250 mil a cada credor.
Com a situação, há expectativas de mudanças no funcionamento do FGC, que serve como um mecanismo de proteção para investidores e para evitar crises financeiras sistêmicas. Os recursos do fundo são provenientes das instituições financeiras associadas.
O Banco Master era conhecido por oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno significativamente altas, algumas chegando a 140% do CDI. Ramiro alerta que bancos menores que ofereçam CDBs com taxas fora do padrão precisarão justificar essa captação com depósitos maiores.
OFÍCIO AO BANCO CENTRAL
Em setembro de 2024, a Abai enviou um ofício ao Banco Central solicitando maior transparência na atuação dos assessores de investimento na venda de fundos, mas não obteve resposta. Um novo ofício foi enviado em novembro de 2025, também sem retorno. A associação defende que a transparência deve ser uma exigência para toda a indústria financeira, incluindo produtos bancários.
A Abai menciona que produtos de renda fixa bancária, como LCI, LCA, CDB e Poupança, carecem de clareza em suas informações, o que prejudica a confiança dos investidores.
