Bangladesh: Vitória do Partido Tradicional em Eleição Marcada pela Influência da Geração Z
Bangladesh realiza eleições após a queda de governo autoritário
Milhões de eleitores compareceram às urnas nesta quinta-feira (12) na primeira eleição após a revolta liderada pela “Geração Z” em Bangladesh. O pleito resultou na vitória expressiva de um partido tradicional, enquanto a legenda criada por manifestantes que ajudaram a derrubar o governo anterior teve um desempenho abaixo das expectativas.
A votação ocorreu aproximadamente dois anos após os protestos de 2024, que culminaram na destituição da então primeira-ministra Sheikh Hasina. A repressão durante esse período resultou em cerca de 1.400 mortes, conforme dados de organismos internacionais, e mergulhou o país em uma grave crise política e econômica.
Com cerca de 128 milhões de eleitores aptos a votar, a participação foi considerada alta. Especialistas afirmam que um resultado claro é crucial para a restauração da estabilidade em um país que, com 175 milhões de habitantes, enfrenta sérios desafios econômicos após meses de agitação política.
Os resultados preliminares indicam que a coalizão liderada pelo Partido Nacionalista de Bangladesh obteve uma maioria significativa no Parlamento. Em contrapartida, o grupo político formado por jovens ativistas que participaram dos protestos apresentou um desempenho limitado nas urnas.
- O Partido Nacionalista de Bangladesh conquistou 209 das 300 cadeiras do Parlamento, assegurando uma maioria de dois terços.
- A aliança liderada pelo partido islâmico Jamaat-e-Islami obteve 68 assentos e reconheceu a derrota.
- O Partido Nacional Cidadão, que é liderado por jovens ativistas, conseguiu apenas 5 das 30 cadeiras que disputou.
Com esses resultados, Tarique Rahman deverá assumir o cargo de primeiro-ministro. Aos 60 anos, ele é filho da ex-premiê Khaleda Zia e do ex-presidente Ziaur Rahman, e seu partido foi o principal opositor do governo que caiu em 2024.
Além da votação parlamentar, os eleitores também participaram de um referendo sobre mudanças constitucionais. Relatos indicam que 73% dos votos foram favoráveis às reformas propostas, que incluem limites de mandatos para o primeiro-ministro, fortalecimento do Judiciário e a criação de um governo interino neutro em períodos eleitorais.
Mais de 2.000 candidatos e pelo menos 50 partidos estiveram envolvidos na eleição. A Liga Awami, que governou Bangladesh por mais de 15 anos até a queda de Hasina, foi impedida de participar do pleito.
Após o fechamento das urnas, Hasina qualificou a eleição como uma “farsa cuidadosamente planejada”, alegando que não houve verdadeira participação dos eleitores e que seus apoiadores rejeitaram o processo.
‘O clima é festivo’

Em várias regiões, eleitores formaram longas filas antes da abertura das urnas, expressando que estavam votando livremente pela primeira vez em mais de uma década. O ambiente foi descrito como festivo.
“Estou entusiasmado porque estamos a votar livremente depois de 17 anos”, disse um eleitor, enquanto aguardava na fila. “Os nossos votos vão fazer a diferença e terão significado.”
Embora tenha havido eleições durante o governo de Hasina, esses pleitos foram marcados por boicotes e intimidações à oposição, segundo críticos. Nesta ocasião, cerca de 1 milhão de agentes de segurança foram mobilizados, e, apesar de alguns incidentes isolados, não houve violência
