Banrisul registra lucro recorde e emite alerta ao setor agropecuário sobre impactos das taxas de juros
Banrisul projeta crescimento do agronegócio gaúcho em 2026, impulsionado por crédito agrário.
A cerimônia de apresentação do Balanço do Banrisul ocorreu na Sogipa, destacando a presença de autoridades, dirigentes e colaboradores da instituição financeira.
O Banrisul finalizou 2025 com um lucro recorde. No entanto, o presidente da instituição, Fernando Lemos, fez um alerta sobre os desafios enfrentados pelo agronegócio. Ele enfatizou que, nos últimos anos, o maior obstáculo para o setor não foram eventos climáticos, mas sim o aumento significativo da taxa Selic, que saltou de 2% para 20%. Lemos afirmou que “o campo não suporta esse nível de juros” e que o impacto financeiro foi mais severo do que os danos causados por secas e enchentes.
Com a alta taxa de juros, os investimentos em máquinas e implementos agrícolas, que podem variar entre R$ 2 milhões a R$ 5 milhões, tornaram-se inviáveis para os produtores. Para mitigar essa crise, o Banrisul desenvolveu, em parceria com os governos estadual e federal, programas de renegociação de dívidas, garantindo a liberação de centenas de milhões de reais para apoiar os agricultores e evitar falências no setor. Essa ação foi crucial para manter a capacidade produtiva, reforçando a importância do banco como um agente de estabilidade em tempos de crise.
Com previsões de diminuição da Selic e condições climáticas mais favoráveis, o Banrisul espera uma recuperação gradual do setor. O agronegócio é visto como o principal motor da economia do Rio Grande do Sul em 2026, com crescimento projetado de 2,9%, superando a média nacional de 2,3%. A recuperação será impulsionada pela safra de soja, que deve crescer 55,4%, e pelo milho, com um aumento de 19,9%, após os estragos da estiagem.
Além dos desafios relacionados aos juros, Lemos também levantou preocupações sobre a reforma tributária. Ele ressaltou a necessidade de um modelo de impostos que não penalize o setor produtivo, já que os agricultores enfrentam riscos climáticos e financeiros. Se a nova tributação não for equilibrada, a competitividade do produtor gaúcho poderá ser comprometida.
A expectativa é que, com a Selic em queda e um ambiente climático mais favorável, o setor agrícola retome os investimentos em máquinas e implementos, anteriormente inviáveis devido aos juros altos. O Banrisul prevê que o agronegócio será essencial para o desempenho do PIB gaúcho em 2026, solidificando a posição do Estado na produção agrícola do Brasil. “O Banrisul conhece profundamente os pequenos e médios empreendedores e continuará desenvolvendo produtos adequados para apoiar o setor. O agro é a base da nossa economia e será o motor da retomada do Rio Grande do Sul”, concluiu Lemos.