Besouro arrebenta-boi: entenda os riscos que ele representa
Besouro “arrebenta-boi” apresenta riscos à saúde animal e humana.
Colorido e pouco conhecido, o Cissites maculata, popularmente chamado de “arrebenta-boi”, chama a atenção não apenas pelo nome, mas também pela toxina que pode causar a morte em animais e queimaduras na pele humana. Pertencente à família Meloidae, este inseto possui uma grande diversidade de espécies no Brasil.
O inseto adulto pode medir entre 3 e 4 centímetros e apresenta uma coloração laranja vibrante com manchas escuras, características típicas de animais que produzem substâncias tóxicas. Essa coloração serve como um alerta para predadores, indicando que o inseto deve ser evitado devido aos possíveis efeitos prejudiciais.
A coloração chamativa é um sinal de que o animal pode ser venenoso ou ter um gosto desagradável. Essa estratégia de defesa é comum entre diversas espécies e visa proteger o inseto de predadores em potencial.
Origem do nome popular
O nome “arrebenta-boi” deriva da toxina chamada cantaridina, que tem o potencial de levar bovinos à morte. Quando o inseto se sente ameaçado, ele libera essa substância, que provoca queimaduras na pele humana e, se ingerida, pode causar hemorragias internas.
A intoxicação ocorre, por exemplo, se uma pessoa levar a mão à boca após tocar no besouro ou até mesmo consumir o inseto. O especialista em zoologia alerta para a letalidade da substância e a necessidade de cautela ao manuseá-lo.
Apesar dos riscos, Nunes observa que a chance de bovinos ingerirem o inseto é baixa, uma vez que não são abundantes em grandes quantidades em um único local, minimizando os danos potenciais.
Comportamento
A fase larval do besouro apresenta um comportamento conhecido como cleptoparasitismo, onde as larvas “roubam” alimento de outros animais. As fêmeas depositam ovos próximos aos ninhos de abelhas solitárias, conhecidas como mamangavas, que habitam pedaços de madeira e troncos de árvores caídas.
Quando as larvas eclodem, elas se fixam no corpo da abelha e acessam o ninho, consumindo o alimento destinado às crias. Esse comportamento pode resultar na morte das larvas das abelhas devido à falta de nutrição.
Na fase adulta, o besouro altera seu comportamento, passando a se alimentar de plantas, flores e pólen, o que pode aumentar o risco de ser ingerido acidentalmente por bovinos durante o pasto.
Região onde habita
Registros indicam que o besouro pode ser encontrado em praticamente todo o Brasil, com exceção de Roraima. Sua distribuição não se limita ao território brasileiro, ocorrendo também em outras partes da América do Sul, chegando até o sul do México.
As abelhas mamangavas estão presentes em diversas regiões do mundo, e como o besouro depende delas para sua sobrevivência, a área de ocorrência do inseto tende a acompanhar a distribuição das abelhas.
Orientação
É recomendável evitar o contato direto com o besouro. Caso ele seja encontrado no pasto ou em casa, o ideal é removê-lo com um recipiente, pinça ou luvas resistentes, e soltá-lo em uma área de vegetação.
Embora o inseto possa causar acidentes, ele desempenha uma função ecológica importante, ajudando a controlar a população de certas abelhas e contribuindo para o equilíbrio da cadeia alimentar. Portanto, a melhor prática é não exterminar o animal, mas sim afastá-lo de maneira segura.
