Bolsonaro opta por atividades físicas e visitas em vez de leitura na Papudinha

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Relatório detalha rotina do ex-presidente em unidade prisional

Um relatório da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) apresenta a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão, onde ele cumpre pena de 27 anos e três meses por sua participação em um golpe de Estado.

Entre 15 e 27 de janeiro, Bolsonaro realizou caminhadas diárias, participou de sessões de fisioterapia e recebeu acompanhamento médico frequente. No entanto, não há registros de leitura de livros ou atividades laborais, que são formas previstas em lei para a redução de pena.

O documento foi elaborado a pedido do ministro Alexandre de Moraes, que é responsável pela ação penal e pela execução da pena. Nele, estão reunidos registros administrativos e operacionais dos primeiros dias de custódia do ex-presidente.

Bolsonaro foi transferido para a unidade no dia 15 de janeiro, chegando às 18h06. Na mesma noite, recebeu a visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e passou por atendimento médico. Desde então, o acompanhamento de saúde tem sido constante.

O ex-presidente tem recebido até cinco atendimentos médicos em alguns dias, realizados por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e médicos particulares. As avaliações incluem a medição de pressão arterial, frequência cardíaca e oxigenação, além de exames clínicos de rotina.

O relatório também revela que Bolsonaro realiza sessões de fisioterapia em dias alternados, conforme autorizado pelo STF. Essa medida foi determinada por Alexandre de Moraes, levando em conta o histórico de problemas de saúde do ex-presidente, que foram agravados pela facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018.

A única atividade física registrada foi a caminhada, realizada dentro da unidade em horários variados.

Embora esteja autorizado a participar do programa de remição de pena por leitura, Bolsonaro não leu livros nem produziu resenhas nos primeiros 13 dias analisados. O programa, regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), permite a redução de quatro dias da pena para cada obra lida e avaliada.

Além disso, não há registros de atividades laborais, outra possibilidade prevista na Lei de Execução Penal para a diminuição do tempo de prisão.

Durante esse período, o ex-presidente recebeu visitas de familiares, incluindo Michelle e Carlos Bolsonaro, além de encontros com advogados. O relatório também aponta duas visitas de assistência religiosa realizadas pelo pastor Thiago Manzoni, que é deputado distrital.

De acordo com o STF, Bolsonaro ocupa uma cela semelhante à de outros condenados no mesmo processo, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques. O espaço, que comporta até quatro pessoas, está sendo utilizado exclusivamente por ele.

O 19º Batalhão possui oito celas em formato de alojamentos coletivos, equipadas com banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. As instalações foram reformadas em 2020 e oferecem acesso a itens básicos, como produtos de higiene, roupas, ventilação mecânica e televisão, conforme as regras da unidade.

Aliados de Bolsonaro têm pressionado o STF para que ele cumpra pena em prisão domiciliar, alegando problemas de saúde. Contudo, o relatório da PM-DF indica que o ex-presidente recebe acompanhamento médico permanente e que sua rotina está de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Justiça.

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