Brasil e Rússia promovem expansão de parcerias comerciais em fórum internacional
Brasil e Rússia reforçam cooperação em energia nuclear e comércio durante fórum em Brasília.
Brasil e Rússia manifestaram apoio ao uso da energia nuclear para fins pacíficos em um documento assinado por altos representantes dos dois países. O vice-presidente brasileiro e o primeiro-ministro russo se reuniram no Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado no Itamaraty, em Brasília.
Os líderes, que representam nações parceiras no BRICS, expressaram interesse em expandir a colaboração em radioisótopos medicinais, visando atender às demandas de saúde pública. O texto também enfatizou a intenção de desenvolver projetos conjuntos na geração de energia nuclear e na atualização das bases jurídicas para a cooperação bilateral.
O evento ocorreu em um contexto significativo, pois coincidiu com o término do tratado New Start, que limitava a quantidade de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia. Durante a reunião, os representantes brasileiros e russos destacaram a importância de fortalecer a cooperação em vários setores, incluindo a indústria farmacêutica, construção naval e segurança cibernética.
O documento também abordou a crítica ao uso de medidas coercitivas unilaterais contra países em desenvolvimento, ressaltando que tais ações são consideradas ilegítimas e incompatíveis com o direito internacional. Além disso, as autoridades enfatizaram que agressões internacionais comprometem os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável das nações afetadas.
O presidente brasileiro, em conversa com o primeiro-ministro russo, ressaltou a necessidade urgente de ações que promovam o multilateralismo e a importância de um acompanhamento eficaz das iniciativas conjuntas, visando resultados concretos para ambos os países. Lula destacou que os atuais números das trocas comerciais não refletem a real capacidade econômica de Brasil e Rússia.
Além do agro
Durante a tarde, Alckmin e Mishustin enfatizaram a robustez da parceria comercial, especialmente no setor agrícola. Eles discutiram a ampliação de importações e exportações, além de cooperação em pesquisa. O vice-presidente brasileiro ressaltou que ambos os países desempenham papéis cruciais na segurança alimentar global.
O Brasil se destaca como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos, enquanto a Rússia é fundamental no fornecimento de insumos agrícolas. O fluxo comercial entre os dois países em 2025 foi de aproximadamente US$ 11 bilhões, com uma predominância de importações para o Brasil.
Alckmin, que também ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirmou que a cooperação pode contribuir para a resiliência do sistema alimentar internacional. Contudo, ele observou que a relação comercial ainda é caracterizada pela baixa diversificação, o que demanda um maior contato entre empresários e autoridades para expandir as exportações de produtos industrializados.
Longo prazo
Mishustin destacou a importância de fortalecer os laços diretos entre os países, já que a Rússia é um dos principais parceiros econômicos do Brasil. Ele concordou com a necessidade de diversificar o comércio, aumentando a oferta de produtos com maior valor agregado e implementando projetos de longo prazo.
O primeiro-ministro mencionou que existem oportunidades significativas nas áreas de química, energia, petróleo e gás, além de medicamentos e exploração espacial, que podem beneficiar ambos os países.
Transferência de tecnologia
Mishustin também abordou as perspectivas promissoras para a cooperação farmacêutica, destacando que condições favoráveis estão sendo criadas para a introdução de produtos inovadores da Rússia no mercado brasileiro. Ele exemplificou com medicamentos voltados para o tratamento de doenças oncológicas e diabetes.
Além disso, o primeiro-ministro afirmou que a Rússia está disposta a realizar transferências de tecnologia e que conta com a colaboração do setor regulatório brasileiro na análise de medicamentos russos. Ele também mencionou a importância da troca de experiências em cibersegurança e inteligência artificial, ressaltando a relevância da soberania digital para o Brasil.
