Brasil inicia construção da Estratégia Nacional de Terras Raras para impulsionar cadeia mineral estratégica
Ministério de Minas e Energia dá início a estudos técnicos para criar plano que integra mineração, inovação e transição energética
O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou oficialmente nesta semana o início dos trabalhos técnicos que embasarão a criação da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR), um plano de ação voltado a consolidar o papel do Brasil na produção e utilização desses minerais considerados estratégicos para a economia global e a transição energética.
Os estudos, iniciados em reuniões técnicas realizadas no dia 21 de janeiro, devem orientar a formulação de diretrizes, metas e instrumentos capazes de organizar a cadeia produtiva de terras raras no país, conectando-a às políticas industriais, de inovação tecnológica e à agenda de baixo carbono do governo federal.
Importância das terras raras para tecnologia e energia
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais em aplicações de alta tecnologia, incluindo ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, turbinas eólicas, baterias, eletrônicos e sistemas de telecomunicações. Esses minerais são considerados críticos por sua importância na transição para fontes de energia limpa e em setores industriais de ponta.
Apesar de o nome sugerir escassez, esses elementos não são raros na natureza; a dificuldade está em encontrar depósitos com concentração mineral economicamente viável e em desenvolver tecnologia de beneficiamento eficiente.
Reservas brasileiras e produção
O Brasil possui vastas reservas de terras raras, com estimativas que apontam o país com cerca de 23% das reservas mundiais, atrás apenas da China — que domina também a produção e o refino global desses minerais.
Apesar dessa posição privilegiada em reservas, o volume de produção ainda é muito baixo, representando menos de 1% da produção mundial, pois a extração e o beneficiamento em larga escala ainda dependem de tecnologia e investimentos significativos.
Objetivos da estratégia
A construção da ENTR tem como principais objetivos:
Definir metas para o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva de terras raras;
Atrair investimentos responsáveis, nacionais e estrangeiros, com foco em inovação e tecnologia;
Reduzir a dependência externa de matérias-primas estratégicas e riscos em cadeias globais de suprimento;
Integrar o setores mineral, industrial e tecnológico para valor agregado no Brasil.
Especialistas ressaltam que o fortalecimento dessa cadeia pode posicionar o país de forma competitiva no cenário global, especialmente em setores ligados à mobilidade elétrica, energias renováveis e equipamentos tecnológicos.
Desafios e oportunidades
A principal dificuldade no desenvolvimento dessa estratégia está em superar barreiras tecnológicas e logísticas inerentes à extração, separação e beneficiamento dos elementos de terras raras, etapas que atualmente estão concentradas em poucos países, principalmente a China.
No entanto, há sinais de aumento de interesse de investidores e de iniciativas privadas para aproveitar o potencial mineral brasileiro. Empresas já têm desenvolvido projetos de mineração e de produção integrada, incluindo esforços para atrair capital e tecnologia internacional.
Contexto geopolítico
A importância das terras raras transcende a economia: elas estão no centro de disputas geopolíticas e da corrida tecnológica global, dada a sua aplicação em sistemas de defesa, energia limpa e dispositivos de alta performance. Países aliados têm buscado parcerias e investimentos para diversificar suas cadeias de suprimento fora das rotas tradicionais dominadas pela China.
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