Brasil pode aumentar produção de biodiesel para 25% sem dificuldades, afirma Tirso Meirelles
Desafios do Agro Brasileiro e Oportunidades para o Biodiesel em Debate no Canal Rural
Na sua estreia como comentarista do Canal Rural, Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp/Senar, abordou os desafios enfrentados pelo setor agrícola brasileiro. Em um cenário marcado pela alta nos fretes e pelo encarecimento dos fertilizantes, Meirelles ressaltou a pressão crescente sobre os custos de produção.
Durante o programa Rural Notícias, ele destacou a necessidade urgente de uma diplomacia comercial mais eficaz. “É um momento muito difícil, muito complexo”, afirmou, pontuando que os efeitos da crise já são visíveis no campo, especialmente com o término da colheita da soja e o início do plantio da safrinha.
O aumento dos fretes e dos insumos, segundo Meirelles, compromete a rentabilidade dos produtores e contribui para o processo inflacionário no país. “Trazer fertilizante mais caro eleva muito o custo de produção”, observou, enfatizando que isso acarreta uma consequência direta na economia nacional.
Apesar das tentativas do governo de amenizar a situação ao reduzir impostos, Meirelles considera que essas medidas têm efeito limitado. Ele sugeriu a elevação da mistura de biodiesel no diesel de 15% para 25% como uma alternativa viável para diminuir a dependência de importações e aliviar os custos no setor agrícola.
Meirelles também apontou falhas estruturais no setor energético, mencionando que o Brasil exporta óleo bruto apenas para importá-lo refinado, o que representa uma falha na estratégia econômica do país. Ele acredita que a implementação do B25 poderia contribuir significativamente para conter a inflação e auxiliar na redução dos custos enfrentados pelos agricultores.
Outro ponto abordado foi a formação dos preços, onde Meirelles enfatizou a dificuldade de controle. “O preço é livre. É a mesma coisa que segurar um rio, não tem jeito”, afirmou, refletindo sobre os desafios do setor.
O debate também incluiu a preocupação com uma possível greve dos caminhoneiros, que, segundo Miguel Daoud, pode ser um desastre para o país, afetando toda a economia. Ele lembrou que o Brasil lida com juros altos e uma dívida crescente, complicando ainda mais a situação.
Daoud chamou atenção para as distorções no mercado de fretes, onde grandes empresas frequentemente terceirizam serviços, impactando os caminhoneiros autônomos. Ele criticou ainda os entraves regulatórios no setor de biodiesel, argumentando que a alegação do governo de que parte da frota não está preparada não é válida, uma vez que o custo do biodiesel não é mais um impeditivo.
Meirelles reiterou a necessidade de um planejamento de longo prazo, enfatizando a falta de um “plano Brasil” que ofereça segurança jurídica e previsibilidade para enfrentar os desafios do mercado, tanto internacional quanto nacional.
A participação do público no debate trouxe questionamentos sobre a ampliação da mistura de biodiesel. Daoud explicou que, embora o governo afirme que o biodiesel é mais caro, muitos estão importando diesel puro por ser mais barato. Ele também questionou a segurança nas mudanças de regras, uma vez que a mistura já foi reduzida de 15% para 10% em outras ocasiões.
Meirelles reforçou a importância de olhar para o futuro, afirmando que o Brasil precisa de um projeto com uma visão de longo prazo. Ele lembrou que a discussão sobre biocombustíveis existe desde a década de 1950, mas sem continuidade efetiva.
A pesquisa realizada pelo Canal Rural com os produtores revelou que 71% deles já sentem os impactos da guerra no Oriente Médio nos custos de produção, principalmente devido ao aumento nos combustíveis. Enquanto 12% indicaram alta nos fertilizantes, 17% ainda não perceberam efeitos significativos.
