Brasil se transforma de país das fintechs para país das healthtechs em 2025
O Brasil se destaca no crescimento das healthtechs, superando as fintechs pela primeira vez.
Nos últimos seis anos, o ecossistema de startups brasileiro passou por transformações significativas. Em 2019, o Brasil era conhecido como o “país das fintechs”. Atualmente, as healthtechs assumiram a liderança, de acordo com o panorama anual da ABStartups. Em 2025, o número de startups de saúde ultrapassou o das fintechs, tornando-se a segunda maior vertical de negócios no país, atrás apenas das edtechs.
Essa mudança representa um marco importante, sendo a primeira vez que as healthtechs alcançam tal posição. O presidente da ABStartups, Lindomar Góes Ferreira, atribui essa ascensão à necessidade de inovação no setor de saúde, que se intensificou com o aumento de startups em diversas regiões do Brasil, promovendo uma diversificação nas áreas de negócio.
Ferreira destaca que os empreendedores surgem para solucionar problemas. Na região Norte, por exemplo, os principais desafios estão relacionados à saúde e educação, o que naturalmente impulsiona o crescimento de startups nesses segmentos.
Entre 2024 e 2025, a região Norte registrou um crescimento de 0,8% no número de startups em comparação ao restante do Brasil, com o Amazonas se destacando entre os dez estados com maior número de empreendimentos. Bruno Borghi, presidente da Associação Brasileira de Startups de Saúde (ABSS), ressalta a importância de ampliar a visão para outras regiões, o que é fundamental para o sucesso das empresas.
Ele argumenta que o mercado de saúde é vasto e que muitas demandas ainda estão sem solução. Ao olhar para fora de São Paulo, as startups podem identificar questões que ainda não foram resolvidas, especialmente em estados como Acre e Pará.
Muito se cria, pouco se sustenta
Apesar do crescimento no número de healthtechs, Borghi expressa preocupações sobre a sustentabilidade dessas empresas. Ele questiona quantas delas permanecem ativas após sua primeira experiência no mercado. Para ele, ainda há um longo caminho a percorrer até que as startups de saúde se consolidem, principalmente devido à falta de maturidade dos fundadores em relação aos modelos de negócio.
Ele observa que muitas healthtechs falham porque não criam uma estrutura de negócio sólida ao levar suas ideias ao mercado. Muitas vezes, a solução proposta não atende às necessidades reais dos clientes, e a falta de flexibilidade para adaptação contribui para o insucesso.
Atualmente, Borghi lidera cerca de 120 startups associadas à ABSS e enfatiza a importância de ensinar os empreendedores a pensarem como empresários, indo além da tecnologia. Ele acredita que soluções voltadas para a terceira idade, que representa 15,8% da população brasileira, são essenciais para o crescimento das healthtechs no país.
Para ele, é fundamental evoluir na compreensão das soluções disponíveis no mercado e consolidar os dados dos clientes para entender o que realmente é relevante. O mercado de healthtechs possui um papel significativo na cultura e no movimento do Brasil, mas a inovação só acontece com um conhecimento profundo das demandas e das instituições de saúde.
Borghi também defende que entender o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma grande oportunidade para empresários que buscam soluções sustentáveis e impactantes. Ele acredita que compreender as demandas do SUS pode abrir portas para que as empresas entrem em outras instituições, onde os problemas reais estão presentes.
Do SUS para o mundo
A AI.Pathology, uma startup associada à ABSS, exemplifica a fusão de experiências pessoais e desafios do SUS. Fundada por Willian Peter Boelcke e Lucas de Souza, a empresa utiliza inteligência artificial para detectar câncer de pele, contando com investimentos de instituições renomadas como Harvard e Google for Startups.
A ideia surgiu da vivência de Boelcke, que perdeu o pai para a doença. Essa experiência o motivou a entrar na área da saúde, e a colaboração com Souza, especialista em inteligência artificial, resultou em uma solução inovadora.
Treinada para identificar lesões cancerígenas, a tecnologia da AI.Pathology se destaca pela diversidade de peles cadastradas, refletindo a variabilidade do Brasil. Com uma acurácia de 93% no diagnóstico, a empresa se posiciona como uma inovação brasileira capaz de ser exportada sem viés.
Embora tenha começado com um foco em acelerar tratamentos pelo SUS, a AI.Pathology adaptou seu modelo de negócios, vendendo suas soluções para organizações
