Caso Master revela que prejuízo no FGC pode atingir quase 50% do lucro dos bancos em 2025
Impacto financeiro significativo das liquidações bancárias no Brasil
O colapso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, gerou um rombo que já alcança quase metade do lucro dos principais bancos brasileiros em 2025.
De acordo com informações recentes, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estimou que o Banco Pleno possui cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis, totalizando R$ 4,9 bilhões em garantias. O Banco Pleno, anteriormente conhecido como Voiter, e a Pleno DTVM faziam parte do conglomerado do Banco Master, que é alvo de investigações por fraudes financeiras.
Em uma análise mais ampla, somando os R$ 4,9 bilhões do Banco Pleno aos R$ 40,6 bilhões do Banco Master e R$ 6,3 bilhões do Will Bank, o total das garantias relacionadas a essas liquidações pode chegar a R$ 51,8 bilhões. Este montante não inclui os empréstimos emergenciais que o FGC precisou fornecer.
O FGC, criado em 1995, atua como um mecanismo de proteção, garantindo investimentos e depósitos em instituições financeiras. É financiado por contribuições periódicas das instituições associadas, incluindo bancos comerciais e de desenvolvimento, que formam uma reserva para cobrir eventuais falências.
A primeira liquidação dessa série foi a do Banco Master, em 18 de novembro de 2025, devido a um suposto esquema de títulos falsos. Logo após, em 21 de janeiro, o Will Bank também foi liquidado, seguido pela liquidação do Banco Pleno.
Durante esse período, houve a liquidação da Reag, uma gestora de capitais, que não envolveu recursos do FGC. Os clientes do Banco Master já começaram a receber as garantias, enquanto os do Will Bank receberam um adiantamento parcial, e os do Banco Pleno aguardam a liberação dos valores.
O liquidante, designado pelo Banco Central, é responsável por avaliar os ativos e passivos da instituição e encaminhar a lista de valores a serem ressarcidos pelo FGC.
Desempenho dos grandes bancos
Os quatro principais bancos brasileiros, listados na Bolsa de Valores, reportaram um lucro líquido combinado de R$ 107,8 bilhões em 2025, embora isso represente uma queda de 4,4% em relação ao ano anterior. A redução foi impulsionada principalmente pelos resultados do Banco do Brasil, que viu seu lucro líquido ajustado cair 45,4% devido à inadimplência no agronegócio, enquanto os bancos privados, liderados pelo Itaú, apresentaram crescimento.
O lucro líquido combinado é uma métrica que soma os resultados de várias instituições, refletindo o desempenho operacional total antes da consolidação contábil. O rombo estimado no FGC, de R$ 51,8 bilhões, representa 48,05% do lucro dos grandes bancos em 2025.
No último trimestre de 2025, o Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões, enquanto o Santander teve um lucro de R$ 4,086 bilhões, o melhor resultado trimestral em quatro anos. O Itaú, por sua vez, alcançou um lucro recorrente de R$ 12,3 bilhões, um aumento de 13,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em contraste, o Banco do Brasil enfrentou uma queda significativa em seu lucro, totalizando R$ 20,7 bilhões em 2025, impactado por novas regras contábeis e aumento da inadimplência.
Liquidação do Banco Pleno
O Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliários S.A., que fazem parte do conglomerado prudencial Pleno. Essa medida foi tomada devido à deterioração da situação econômico-financeira da instituição, que apresentava problemas de liquidez e não cumpria as normas regulatórias.
Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores do Pleno e da Pleno DTVM ficam indisponíveis, enquanto o Banco Central continua a investigar as responsabilidades, podendo aplicar medidas administrativas e comunicar as autoridades competentes.
