Caxias do Sul registra mais de 380 notificações de violência contra a mulher no 2º semestre de 2025
Levantamento aponta predominância de violência moral e psicológica; rede de apoio atende mais de mil casos
Caxias do Sul (RS) — A Prefeitura de Caxias do Sul divulgou um panorama detalhado sobre a violência contra a mulher no município referente ao segundo semestre de 2025. Entre julho e dezembro, foram registradas 381 notificações de casos de violência doméstica e outras formas de agressão contra mulheres, segundo dados compilados pelas secretarias municipais envolvidas no acompanhamento e atendimento às vítimas.
O mês de novembro foi o mais crítico, com 73 notificações, enquanto setembro teve os menores números, com 55 ocorrências registradas. O levantamento reforça a necessidade de ações contínuas de prevenção, proteção e acolhimento, bem como de políticas públicas que combatam a violência de gênero de maneira integrada.
Perfil da violência e atendimento especializado
De acordo com o relatório, a violência raramente se manifesta de forma única. Entre as notificações atendidas pelo Centro de Referência da Mulher (CRM) — serviço vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SMASC) — os principais tipos de violência registrados foram:
- Violência moral: 41,73% dos casos;
- Violência psicológica: 22,39%;
- Violência física: 18,32%.
O CRM realizou 1.002 atendimentos no período, com destaque para a adaptação das formas de suporte: 63,87% das ações foram realizadas de forma remota (por telefone, WhatsApp e e-mail), e 36,13% presencialmente na sede do centro.
Casos de risco extremo e acolhimento institucional
Os dados também trazem um panorama preocupante entre as mulheres em situação de maior vulnerabilidade. Na Casa de Apoio Viva Rachel, que atende vítimas em risco extremo, foram acolhidas 81 mulheres, sendo que:
- 91% sofreram violência psicológica;
- 72% relataram agressões físicas;
- 70% foram vítimas de violência moral;
- 91% apresentavam risco de morte ou graves ameaças no momento do acolhimento.
No período, a Casa de Apoio também atendeu 39 crianças e adolescentes que acompanhavam suas mães, ressaltando o impacto da violência doméstica em toda a unidade familiar.
Fatores sociais e contexto econômico
O levantamento indica que a vulnerabilidade socioeconômica é um fator relevante na dinâmica da violência:
- 60% das mulheres acolhidas estavam inscritas no Cadastro Único;
- 44% eram beneficiárias do Programa Bolsa Família.
Segundo as autoridades municipais, esses dados reforçam a importância de estratégias articuladas de proteção social, autonomia econômica e acolhimento psicossocial, especialmente para mulheres em situação de risco.
Comparativo estadual e indicadores recentes
O cenário local ocorre em um contexto mais amplo no Rio Grande do Sul, onde os índices de violência de gênero continuam a demandar atenção. Foram registrados 11 feminicídios no Estado nos primeiros 29 dias de janeiro de 2026, de acordo com dados oficiais do governo estadual — um indicador que ressalta a urgência das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher.
Avanços e desafios
Um aspecto positivo do relatório municipal é a redução observada nos boletins de ocorrência registrados em janeiro, que caíram mais de 32% em relação ao mesmo mês de 2025, uma tendência atribuída, em parte, ao trabalho articulado da rede de proteção e prevenção em Caxias do Sul.
Além disso, a cidade não registrou nenhum caso de feminicídio nos últimos 12 meses, o que demonstra impacto das ações intersetoriais de acolhimento, prevenção e articulação das políticas públicas municipais.
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Caxias do Sul/ Ricardo Rech
