Cenipa divulga conclusões sobre o acidente que matou os Mamonas Assassinas

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Tragédia dos Mamonas Assassinas completa 30 anos e revela falhas humanas e operacionais

Fatores humanos e operacionais foram determinantes para a queda do avião que transportava os Mamonas Assassinas, ocorrida na noite de 2 de março de 1996, enquanto a banda se dirigia de Brasília a Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. O piloto e co-piloto, exaustos após uma rotina intensa, estavam vulneráveis ao estresse, resultando em desatenção durante o voo.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu suas investigações em um relatório, que foi finalizado dois meses após o acidente. Este trágico evento, que marcou a história do Brasil, completa 30 anos neste dia.

Na aeronave, estavam os músicos Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Sérgio e Samuel Reoli, além do ajudante de palco Isaac Souto, do segurança Sérgio Saturnino Porto, e da tripulação composta pelo piloto Jorge Germano Martins e co-piloto Alberto Yoshiumi Takeda. Todos a bordo perderam a vida.

A aeronave Learjet, modelo LR-25D e matrícula PT-LSD, era operada pela Madri Táxi Aéreo e havia transportado a banda de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, para Piracicaba, interior de São Paulo, no dia anterior ao acidente. Após chegarem à cidade, a tripulação se hospedou e, no dia do acidente, saiu do hotel por volta das 6h40, decolando às 7h10 com destino a Guarulhos.

Após um voo que durou apenas 26 minutos, a aeronave pousou em Guarulhos às 7h36. A tripulação permaneceu no aeroporto sem condições adequadas para descanso, e o piloto expressou seu cansaço a um colega, sentindo-se como se tivesse “areia nos olhos”. O voo para Brasília, inicialmente programado para às 15h, decolou com mais de uma hora de atraso, às 16h41.

Após pousar em Brasília às 17h52, a tripulação novamente ficou sem espaço para repouso. Naquela noite, os Mamonas Assassinas se apresentaram no estádio Mané Garrincha, encerrando sua única turnê nacional para um público de cerca de 4 mil pessoas. Após o show, embarcaram às 21h58 rumo ao Aeroporto de Guarulhos, onde, às 23h16, a aeronave colidiu contra a Serra da Cantareira, resultando na morte de todos os ocupantes.

A jornada de trabalho da tripulação, que totalizou cerca de 17 horas, foi um fator crucial que contribuiu para o cansaço e a falta de atenção em momentos críticos do voo. O Cenipa destacou que essa carga horária ultrapassou em aproximadamente seis horas o limite estabelecido pela Lei do Aeronauta, vigente na época, e que, apesar de possuírem Certificados de Capacidade Física válidos, a equipe enfrentava sérias limitações em sua experiência e treinamento.

Além disso, o relatório indicou que a importância financeira da banda para a empresa de táxi aéreo era uma preocupação para o piloto, que tinha participação nos lucros do voo. A irreverência dos Mamonas também dificultou a imposição de limites durante o voo, e há indícios de que um passageiro pode ter estado na cabine durante fases críticas, aumentando a desatenção.

Outro aspecto relevante é que a trajetória do voo sugeriu uma aproximação intencional à área onde Dinho morava, levantando a hipótese de que o percurso poderia ter sido planejado para identificar a localização da residência. A investigação se baseou em dados de radar, transcrições de comunicações e depoimentos de outros pilotos, que descreveram o grupo como “bastante inquieto e irreverente”.

Os pilotos, apesar de possuírem licenças válidas, apresentaram lacunas significativas em treinamento e experiência, comprometendo a segurança do voo. O comandante tinha 2,5 mil horas de voo, mas apenas 220 horas no modelo Learjet, enquanto o co-piloto, com 330 horas de voo, contava com apenas 57 horas na aeronave. Essa falta de experiência dificultou a comunicação com a Torre e o Controle, limitando a assistência durante as fases críticas do voo.

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