Cheia do rio Mondego provoca desalojamento de 3 mil pessoas em Portugal
Chuvas intensas causam inundações em Coimbra, Portugal, obrigando evacuação de moradores.
Chuvas torrenciais resultaram no transbordamento do rio Mondego em Coimbra, Portugal, na quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026. Com o nível do rio atingindo um patamar crítico, cerca de 3.000 residentes foram forçados a deixar suas casas, enquanto diversos bairros ficaram submersos.
Imagens mostram equipes do Corpo de Fuzileiros Navais navegando por ruas alagadas na cidade de Ereira, localizada no município de Montemor-o-Velho. Utilizando barcos a motor, as equipes realizaram resgates e entregaram suprimentos a áreas isoladas, transformando vilarejos em verdadeiras vias navegáveis.
Um oficial do Corpo de Fuzileiros Navais informou que estão prestando apoio à população de Montemor e Ereira, auxiliando a proteção civil e os bombeiros no transporte de pessoas e suprimentos. Outro militar expressou preocupação com a possibilidade de agravamento da situação, temendo que a enchente se intensifique.
Moradores expressam sua apreensão com a possibilidade de novos aumentos no nível da água. Um residente de Ereira mencionou que a situação pode piorar devido ao rompimento de uma represa, ressaltando que a inundação não foi causada apenas pelo transbordamento do rio, mas também por falhas na manutenção das bombas que deveriam escoar a água de volta ao leito do Mondego.
Outro morador, identificado como Hermes, planeja retornar à sua casa para protegê-la. Ele destacou a importância de precauções, mencionando que existem seis estações de bombeamento, cada uma capaz de remover 250 metros cúbicos de água por segundo, e que, se quatro bombas estivessem operando, a situação poderia ser menos crítica.
Na quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou que a depressão Oriana, embora não tenha atingido diretamente o país, traria chuvas fortes e ventos de até 80 km/h, resultando em avisos de nível amarelo para precipitações e rajadas.
Na mesma data, escolas foram fechadas em Coimbra e o mercado municipal foi interditado após o desabamento de parte de um muro sobre uma das principais vias de acesso.
Ações do governo português
Durante uma visita a Alcácer do Sal, uma das áreas afetadas, o primeiro-ministro anunciou a criação do Plano de Recuperação e Resiliência (PTRR) para enfrentar as consequências das intempéries e fortalecer a resiliência das infraestruturas críticas. O plano abrange intervenções estruturais em sistemas rodoviários, ferroviários, de energia, água e serviços públicos.
O primeiro-ministro garantiu que “ninguém será esquecido”, enfatizando que a resposta será nacional para um problema que afetou todo o território. O governo decidiu aumentar a linha de crédito destinada a empresas afetadas de € 500 milhões para € 1.000 milhões, visando apoiar a recuperação econômica.
Até o momento, foram registradas cerca de 3.500 candidaturas, totalizando aproximadamente € 700 milhões. O primeiro-ministro pediu que seguradoras e autarquias acelerem as vistorias para garantir agilidade na liberação de apoios a famílias e comerciantes.
O governo também disponibilizou 275 Espaços Cidadão em 68 municípios afetados para fornecer informações sobre os auxílios disponíveis. Um portal foi criado para detalhar as medidas de apoio, visando facilitar o acesso à assistência.
Além disso, o governo anunciou a revisão do sistema hidráulico do Mondego, cuja estrutura é antiga e necessita de atualização para lidar com eventos climáticos extremos que têm se tornado mais frequentes. A revisão contará com a colaboração de autoridades locais e da academia, e há planos para a construção da barragem de Girabolhos como parte da solução estrutural.
Novos alertas meteorológicos
O IPMA emitiu novos alertas sobre o agravamento das condições climáticas devido à depressão Oriana, prevendo chuvas intensas e persistentes, rajadas de vento que podem atingir até 100 km/h nas áreas mais altas, e ondas que podem alcançar 11 metros na costa.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (Anepc) recomendou medidas preventivas, como evitar atravessar áreas alag
