China altera regulamentação sobre plantas daninhas em soja brasileira e libera cargas
China flexibiliza regras sobre ervas daninhas em soja importada do Brasil.
Autoridades chinesas anunciaram a flexibilização das regras relacionadas à presença de ervas daninhas em carregamentos de soja importados do Brasil.
A decisão foi documentada pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, que informou que, em reunião com representantes da China, o governo brasileiro destacou a impossibilidade de garantir a ausência total de sementes de plantas daninhas na soja devido às características do processo produtivo.
As autoridades chinesas concordaram em não adotar um critério de tolerância zero para as cargas provenientes do Brasil. Isso permitirá a certificação de navios mesmo na presença de ervas daninhas detectadas em laudos laboratoriais.
Ainda não foi definido um limite numérico oficial para a tolerância de ervas daninhas, mas o percentual aceitável será discutido em futuras negociações entre os dois países.
Até que um acordo seja alcançado, as avaliações continuarão sendo baseadas em análises de risco e medidas de mitigação, levando em consideração o destino dos produtos.
O que aconteceu
A China, principal destino da soja brasileira, representa cerca de 80% das exportações do produto. Recentemente, cerca de 20 navios brasileiros foram devolvidos pela China por apresentarem grãos de soja misturados com ervas daninhas proibidas.
Em resposta a essa situação, representantes do Ministério da Agricultura do Brasil planejam uma viagem à China na próxima semana para discutir o tema.
Na última terça-feira, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a qualidade da soja brasileira é indiscutível, mas reconheceu a legitimidade das preocupações chinesas. Ele também propôs a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio de soja.
Quando a pressão começou
Embora o caso tenha ganhado destaque recentemente, o problema não é novo. Analistas do mercado de soja indicam que a situação começou no final do ano passado, quando o órgão responsável pela fiscalização na China informou ao governo brasileiro sobre o excesso de sementes proibidas e materiais estranhos nos carregamentos.
Com o aumento da pressão da China, o Ministério da Agricultura adotou uma postura de tolerância zero para evitar tensões diplomáticas, resultando em inspeções mais rigorosas e na emissão de certificados fitossanitários somente para cargas que atendem às exigências.
Sem esses certificados, as empresas enfrentam dificuldades para entregar suas cargas na China e receber o pagamento. Com a nova flexibilização, espera-se que as cargas sejam liberadas.
Interrupção da Cargill
A Cargill, uma das principais empresas do setor, informou que suas entidades representativas publicariam uma nota conjunta sobre a situação, mas até o momento não forneceram explicações detalhadas. Na nota, mencionaram que estão acompanhando atentamente os desdobramentos das exportações de soja.
Impacto para as exportações
Analistas de mercado consideram que a situação é pontual e não deverá impactar significativamente o volume de soja exportado para a China. A fila de navios nos portos brasileiros permanece forte, com cerca de 17 milhões de toneladas de soja, sendo 10 milhões destinadas à China.
Até o momento, não foram registrados atrasos relevantes na saída dos navios, indicando que os ajustes estão sendo pontuais no processo de inspeção das cargas.
Estimativas indicam que os 20 navios devolvidos representam entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas, um número considerado pequeno frente ao total de 112 milhões de toneladas que o Brasil deve exportar ao longo do ano.
