China e Índia podem “matar” o setor têxtil brasileiro, diz secretário em visita a Americana

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Autoridade estadual aponta concorrência asiática como ameaça ao núcleo têxtil nacional e pede políticas mais agressivas para proteger a indústria

Durante visita oficial a Americana (SP) nesta sexta-feira (13/02), o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico afirmou que a concorrência internacional, especialmente de países como China e Índia, representa um risco profundo ao setor têxtil no Brasil, setor tradicionalmente ligado à economia da região metropolitana de Campinas. As declarações foram repercutidas em reportagem publicada pelo portal Liberal.

O secretário criticou a atual política econômica federal, indicando que a liberalização do comércio e a facilidade para importações podem colocar em risco a competitividade da indústria têxtil nacional frente aos produtos asiáticos mais baratos.

Polo têxtil de Americana e impacto

A Região do Pólo Têxtil, que compreende municípios como Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia, é apontada como o maior centro têxtil de tecidos planos de fibras artificiais e sintéticas da América Latina, responsável por cerca de 85% da produção nacional desse segmento.

Historicamente, o setor têxtil brasileiro teve forte presença econômica e gerou grande número de empregos, especialmente no interior paulista. No entanto, segundo especialistas, apesar da produção nacional relevante, sua participação no mercado global tem sido limitada — o Brasil responde por apenas uma fração (cerca de 0,3%) das exportações têxteis mundiais, em grande parte devido à dificuldade de competir em preço com países como China e Índia.

Concorrência asiática e economia global

A China, atualmente uma das maiores economias globais e principal polo manufatureiro mundial, tem sistema produtivo de grande escala e custos menores, o que facilita a exportação de produtos têxteis a preços competitivos em mercados emergentes, incluindo o Brasil. Produtos importados de países asiáticos, muitas vezes subsidiados por políticas industriais de estado ou por forte capacidade produtiva, podem colocar pressão sobre fabricantes domésticos, conforme alertam análises setoriais.

A Índia, com sua própria base têxtil robusta e mão de obra abundante, também figura entre os grandes exportadores mundiais de têxteis e confecções, ampliando a competição global pelo mercado brasileiro e impactando margens de empresas locais.

Desafios estruturais do Brasil

Além da concorrência externa, o setor têxtil no Brasil enfrenta desafios domésticos que afetam sua competitividade. Entre eles estão:

  • Custos mais elevados de produção e energia em comparação com rivais internacionais;
  • Carga tributária complexa e variada por estado;
  • Dificuldade em modernizar plantas industriais antigas para manter eficiência produtiva;
  • Insuficiente apoio em políticas públicas de incentivo à produção doméstica.

Especialistas em comércio internacional também apontam que, em um cenário de globalização econômica, sem medidas defensivas como salvaguardas comerciais ou políticas de incentivo, indústrias nacionais mais fracas podem sofrer perda de mercado interno e até fechamento de unidades produtivas.

Repercussão

Autoridades presentes à visita ressaltaram que uma maior interlocução entre governo estadual, setor produtivo e governo federal é essencial para elaborar estratégias capazes de mitigar riscos, fortalecer cadeias produtivas locais e incentivar inovação, sem perder de vista a integração ao comércio global.

A questão coloca em foco o debate sobre competitividade setorial, políticas de comércio exterior e o papel do Estado no estímulo à indústria em um cenário de intensa concorrência internacional.

Foto: Ilustração

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