China executa 11 membros de máfia envolvidos em golpes online e tráfico de pessoas para Mianmar

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Execuções de membros da máfia Ming marcam uma resposta severa da China ao crime organizado em Mianmar.

Dezenas de membros da máfia Ming foram condenados em 2025, com a execução de 11 integrantes da família, conforme noticiado pela mídia estatal. Este clã era conhecido por administrar diversos centros de golpes em Mianmar, especialmente na região fronteiriça com a China.

A máfia Ming transformou a cidade de Laukkaing, antes uma localidade isolada, em um movimentado centro de cassinos e prostituição, controlando atividades ilícitas que atraíam tanto clientes locais quanto internacionais.

O império dos Ming começou a desmoronar em 2023, quando foram detidos e entregues às autoridades chinesas por milícias étnicas que haviam tomado o controle de Laukkaing em meio a um conflito crescente com o Exército de Mianmar.

Com essas execuções, Pequim envia uma mensagem a potenciais golpistas. No entanto, as operações ilegais estão se deslocando para áreas onde a influência da China é menor, como as fronteiras com a Tailândia, Camboja e Laos.

Estima-se que centenas de milhares de pessoas foram traficadas para participar de golpes online em Mianmar e em outras partes do sudeste asiático, incluindo milhares de cidadãos chineses. As vítimas, que sofreram perdas significativas, são em sua maioria também chinesas.

Devido à inação das autoridades militares de Mianmar em combater esses crimes, a China apoiou uma ofensiva de uma aliança rebelde no Estado de Shan, que resultou na captura de Laukkaing e na queda do domínio da máfia Ming.

Quem é a família Ming?

Os 11 membros da família Ming são os primeiros chefes de esquemas de corrupção em Mianmar a serem executados pela China, mas não serão os últimos. Recentemente, cinco integrantes da família Bai também foram condenados à morte, e os julgamentos de outros clãs, como os Wei e Liu, estão em andamento.

O julgamento da família Ming foi realizado a portas fechadas, mas mais de 160 pessoas puderam acompanhar a audiência, incluindo familiares das vítimas dos crimes cometidos pelo clã.

As operações de fraude e os cassinos clandestinos dos Ming arrecadaram mais de 10 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 7,48 bilhões) entre 2015 e 2023, conforme informou a Suprema Corte da China, que rejeitou os recursos apresentados pela família em novembro.

Os crimes perpetrados pelos Ming resultaram na morte de 14 chineses, além de muitos outros feridos. Mais de 20 membros da família receberam sentenças de prisão que variam de cinco anos a prisão perpétua. O patriarca do clã, Ming Xuechang, cometeu suicídio em 2023 ao tentar evitar a prisão.

As confissões dos presos foram amplamente divulgadas em documentários da mídia estatal, destacando a determinação das autoridades chinesas em erradicar as redes de golpes.

A máfia Ming é uma das poucas famílias com uma trajetória cinematográfica que ascendeu ao poder em Laukkaing no início dos anos 2000, após a deposição do então chefe militar local por uma operação liderada por Min Aung Hlaing, atual líder do governo de Mianmar.

Ming Xuechang, o chefe da família, era responsável por um dos centros de golpes mais infames da região, conhecido como a Vila do Tigre Agachado. Inicialmente, a família se sustentava por meio de jogos de azar e prostituição, mas logo passou a aplicar fraudes online, utilizando principalmente pessoas sequestradas forçadas a participar dessas atividades.

Dentro dos complexos fortemente vigiados, uma cultura de violência imperava. Depoimentos de trabalhadores libertados revelam que espancamentos e torturas eram práticas comuns.

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