Chuvas intensas afetam lavouras de soja e aumentam prejuízos no agronegócio em Mato Grosso
Chuvas intensas prejudicam colheita da soja em Mato Grosso, resultando em perdas significativas.
As chuvas intensas ocorridas nas últimas semanas em Mato Grosso têm afetado severamente a colheita da soja da safra 2025/26. O excesso de precipitações tem comprometido o término da colheita, resultando em prejuízos em diversas regiões do estado.
Com áreas ainda não colhidas, a umidade elevada impede a retirada dos grãos no momento ideal, aumentando os índices de avarias e os descontos aplicados na comercialização. Em muitas propriedades, a deterioração da soja é evidente, com grãos brotando nas vagens e umidade acima do padrão exigido pelos armazéns.
De acordo com levantamentos, mais de 65% da área plantada já foi colhida, mas o ritmo tem diminuído nas últimas semanas devido às chuvas constantes.
O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, expressou preocupação com o cenário atual. Ele destacou que a colheita continua em um ritmo lento, com as chuvas impactando negativamente os produtores locais.
Problema iniciado no plantio de soja
No extremo norte do estado, a quantidade de chuva foi ainda mais elevada. Um produtor da região, Diego Bertuol, mencionou que os problemas começaram durante o plantio, que foi afetado por um déficit hídrico entre setembro e outubro. Isso resultou em uma colheita lenta e perdas significativas devido à alta umidade dos grãos.
Levantamentos realizados em parceria com autoridades locais indicam que os prejuízos podem alcançar cerca de R$ 1.800 por hectare, considerando perdas por grãos avariados e os descontos decorrentes da umidade elevada.
Na região sul, a situação é igualmente crítica. Jorge Diego Giacomelli, diretor administrativo da Aprosoja MT, relatou que fevereiro tem sido um mês extremamente chuvoso, acumulando mais de 500 milímetros em várias áreas do estado. Os produtores estão enfrentando problemas semelhantes, com soja avariada e grãos úmidos, resultando em descontos e prejuízos.
Além das perdas nas lavouras, a logística se tornou outra grande preocupação. Estradas rurais sem pavimentação enfrentam atoleiros e interrupções, dificultando o transporte da produção. Bertuol destacou que caminhões estão enfrentando longas esperas devido a atoleiros, comprometendo ainda mais a qualidade dos grãos.
No Oeste do estado, a realidade é semelhante. Gilson Antunes de Melo, vice-presidente da Aprosoja MT na região, comentou sobre as dificuldades crescentes enfrentadas pelos produtores, que muitas vezes não conseguem acessar as estradas para levar a colheita até os armazéns.
Situação de emergência
Diante da gravidade da situação, municípios como Feliz Natal, Matupá e Marcelândia decretaram estado de emergência para agilizar intervenções em estradas e pontes, visando garantir o escoamento da produção agrícola.
O atraso na colheita já impacta a segunda safra, com parte do milho sendo plantada fora da janela ideal, o que aumenta o risco produtivo. Os produtores estão preocupados, pois a soja é vital para suas finanças, e muitos já possuem contratos firmados que podem ser comprometidos.
A situação é alarmante, pois o excesso de chuvas, os problemas logísticos e as dificuldades na colheita e plantio se acumulam, fugindo ao controle dos produtores locais. A necessidade de uma resposta rápida e eficaz é urgente para mitigar os danos causados por essa crise climática.
