Cientista político afirma que lucro no comércio internacional não elimina conflitos
Heni Ozi Cukier analisa o cenário geopolítico e as oportunidades para o Brasil no BTG Summit.
Durante o BTG Summit, Heni Ozi Cukier, cientista político e ex-deputado estadual de São Paulo, abordou o atual cenário geopolítico, destacando as oportunidades que surgem para o Brasil. Ele enfatizou que a interdependência econômica nem sempre impede conflitos, desafiando a ideia de que a prosperidade comercial garante paz entre nações.
Cukier ressaltou a importância de integrar a geopolítica nas discussões sobre finanças e economia. Segundo ele, decisões que parecem racionais muitas vezes são influenciadas por fatores políticos, refletindo as prioridades e valores dos líderes. No contexto internacional, as relações de poder são cruciais para entender as dinâmicas atuais.
O professor trouxe à tona a pandemia de covid-19, que evidenciou a centralização de insumos na China e sua relação com a segurança nacional. Ele também mencionou o impacto da invasão da Ucrânia pela Rússia, que alterou a percepção global sobre riscos geopolíticos e a necessidade de reavaliar estratégias governamentais.
Cukier caracterizou o tarifaço de Donald Trump como um dos eventos mais significativos da política internacional recente, destacando que suas consequências ainda estão em andamento. A Suprema Corte dos EUA derrubou parte das tarifas, mas o governo busca alternativas legais para contornar essa decisão, indicando que as tarifas continuarão a ser uma ferramenta de política econômica.
O cientista político dividiu sua análise em quatro partes. Primeiro, ele observou que os EUA identificaram a China como uma fonte de desequilíbrio comercial, levando a um impacto negativo no emprego industrial americano. A percepção de que a China “exporta desemprego” é um reflexo das políticas protecionistas do país.
Na segunda parte, Cukier argumentou que a administração Trump reconheceu a urgência da situação, entendendo que a força industrial é vital não apenas para a economia, mas também para a segurança nacional. A falta de uma indústria forte pode comprometer o desenvolvimento bélico dos EUA.
Ele também se referiu ao dia 2 de abril de 2025, quando Trump anunciou o tarifaço, considerando essa decisão um erro significativo, que resultou em uma diminuição da confiança nos títulos da dívida americana. Essa mudança pode transformar a guerra tarifária em um conflito financeiro, especialmente com a China, que possui uma grande quantidade de dívida americana.
Cukier apontou que os EUA tendem a tratar todos os países como se fossem a China, aplicando punições indiscriminadas a aliados como Reino Unido, Canadá e Austrália, o que pode prejudicar relações estratégicas. Ele também mencionou a relação com a Europa e a situação da OTAN como áreas de preocupação.
Por fim, Cukier destacou que o Brasil possui uma posição privilegiada no cenário atual. A geografia da América do Sul, distante dos principais conflitos globais, e a combinação de um grande território, população significativa e abundância de recursos energéticos colocam o país em uma posição única.
Ele enfatizou a necessidade de uma condução política e diplomática eficaz para aproveitar as oportunidades que se apresentam. Cukier acredita que o Brasil deve adotar uma postura neutra em relação aos EUA e que a ascensão de um candidato de direita moderno nas próximas eleições poderia facilitar essa estratégia, embora não veja um cenário favorável para tal figura neste momento.
