Cientistas da UFSM reconstroem cérebro de réptil de 233 milhões de anos encontrado no Rio Grande do Sul
Estudo revela detalhes sobre o cérebro de réptil precursor dos pterossauros.
Paleontólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFSM) publicaram recentemente um estudo inovador na revista Palaeontology, que traz à luz a reconstrução do cérebro de um réptil extinto através de tomografias computadorizadas.
O fóssil analisado, datado de 233 milhões de anos, foi descoberto no município de São João do Polêsine (RS), uma área reconhecida pelo Geoparque Quarta Colônia Unesco. Este achado é relevante, uma vez que os pterossauros, frequentemente confundidos com dinossauros, dominaram os céus durante a Era Mesozoica e desenvolveram a habilidade de voar antes mesmo das aves.
Apesar de sua abundância nos Períodos Jurássico e Cretáceo, a origem dos pterossauros no Período Triássico ainda levanta questões. As modificações no cérebro desses répteis são particularmente intrigantes e despertam o interesse dos pesquisadores para entender a evolução dessa habilidade de voo.
Um dos principais desafios na pesquisa de pterossauros é a escassez de fósseis que preservem a área do crânio onde o cérebro está localizado. O estudo em questão, que envolve a colaboração de cientistas dos Estados Unidos, Argentina e Alemanha, foca em um fóssil de um lagerpetídeo, descrito em 2023. Este trabalho faz parte da tese de doutorado de Lísie Vitória Soares Damke, sob a orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller.
Os lagerpetídeos, considerados os precursores mais próximos dos pterossauros, eram répteis esguios, mas diferentemente de seus parentes voadores, não possuíam a habilidade de voar. Compreender a anatomia cerebral desses animais é crucial, pois pode fornecer insights sobre as características que permitiram a evolução do voo nos pterossauros. Entretanto, a análise do cérebro, um tecido mole que raramente se preserva no registro fóssil, apresenta desafios significativos.
O fóssil estudado media cerca de 1 metro e apresentava um bico pontiagudo, garras longas e membros delgados. Embora incapaz de voar, acreditava-se que esse réptil se movia entre as copas das árvores, utilizando suas garras recurvadas para se segurar nos galhos.
