Cientistas encontram mariposas como alternativa aos ratos de laboratório após anos de pesquisas sem sucesso
Pesquisadores inovam ao utilizar larvas de mariposas como novos indicadores biológicos.
No mundo da ciência, o rato reinou supremo nos laboratórios por décadas. Contudo, seu uso é caro, lento e eticamente complexo, levando à busca por alternativas. Recentemente, pesquisadores da Universidade de Exeter alcançaram um marco que promete revolucionar a luta contra superbactérias.
Esse avanço consiste na manipulação genética de larvas de mariposas, que agora funcionam como indicadores biológicos em tempo real. O mais impressionante é que essas larvas possuem um indicador visual: elas brilham quando infectadas e apagam quando o tratamento está surtindo efeito.
O estudo detalha como a equipe aplicou ferramentas avançadas de edição genética a essas mariposas com uma precisão sem precedentes. O uso de insetos para modelar doenças humanas apresenta limitações, mas a combinação de técnicas inovadoras nesta pesquisa abre novas possibilidades.
A primeira técnica utilizada é o sistema PiggyBac, que permite a inserção de genes que produzem proteínas fluorescentes nas mariposas, transformando-as em “luzes de néon” biológicas. Isso possibilita monitorar a infecção em tempo real ao injetar bactérias ou fungos, permitindo uma observação direta sob o microscópio.
Além disso, a técnica CRISPR-Cas9 foi utilizada para desativar genes específicos no organismo do inseto. Essa abordagem é extremamente benéfica, pois possibilita a manipulação do sistema imunológico da larva, permitindo a observação de como ele reage a diferentes patógenos, simulando condições humanas complexas.
As larvas modificadas oferecem uma forma de visualizar se um antibiótico está funcionando em tempo real. A fluorescência serve como indicador; se ela diminui, isso indica que as bactérias estão morrendo devido ao antibiótico e a larva está sobrevivendo, tudo de forma rápida e econômica.
A Galleria mellonella, a mariposa utilizada, tem uma vantagem significativa: sua temperatura corporal é compatível com a temperatura média do corpo humano, o que é crucial, pois muitos patógenos humanos ativam seus genes de virulência a essa temperatura. Além disso, seu sistema imunológico é surpreendentemente semelhante ao dos mamíferos, o que a torna um modelo valioso para estudos.
Esse modelo animal pode evitar o uso de milhares de ratos anualmente, especialmente no Reino Unido, onde a demanda por testes é alta.
O contexto desse avanço é fundamental, considerando a crescente resistência bacteriana aos antibióticos. Atualmente, a necessidade de testar novos compostos rapidamente é urgente, e o uso de ratos para essas pesquisas representa um gargalo, tanto em termos de tempo quanto de questões éticas.
As larvas transgênicas oferecem uma solução viável, permitindo triagens em larga escala. Em vez de esperar semanas por resultados em camundongos, os cientistas podem testar centenas de compostos em larvas e obter leituras visuais imediatas sobre toxicidade e eficácia.
