Conflito entre vereadores marca discussão sobre show de Valesca Popozuda em bloco no MS
Debate sobre a presença de Valesca Popozuda no Carnaval de Campo Grande gera polêmica entre vereadores.
Vereadores de Campo Grande (MS) expressaram opiniões divergentes sobre a participação da cantora Valesca Popozuda no Carnaval da cidade. O parlamentar André Salineiro (PL) levantou questionamentos sobre a utilização de recursos públicos para a contratação da artista.
Salineiro afirmou que não encontrou informações sobre a origem dos recursos no Diário Oficial da Prefeitura ou do Estado. Ele criticou o conteúdo das letras da cantora, que, segundo ele, são “abertamente pornográficas” e promovem a hiperssexualização.
“Trazer a funkeira Valesca Popozuda, que produziu e construiu sua carreira com base em letras abertamente pornográficas, que estimulam a hipersexualização e a linguagem chula. Eu me recuso a falar a letra das músicas de Valesca Popozuda.”
O vereador, em seguida, recitou uma das letras da artista, chamando a atenção para o teor das canções. Ele defendeu que o show da cantora deveria ocorrer em um ambiente privado, onde crianças não tivessem acesso.
“Como que uma mulher dessa vem para o Carnaval, e como a gente pode afirmar que crianças não são influenciadas por isso. A criança que está vendo o show dessa mulher vai ser influenciada. Quando existe contratação de artista com dinheiro público, a conversa muda. Se quiser trazer a Popozuda para fazer um show para adultos, iniciativa privada, beleza. Agora, com recurso público, onde é aberto para adolescentes e crianças, não.”
Após suas declarações, Salineiro manifestou apoio a um projeto de lei do vereador Rafael Tavares (PL), que visa proibir o uso de verbas públicas em eventos que exponham crianças e adolescentes a temas eróticos ou sobre orientação sexual.
Por outro lado, o vereador Jean Ferreira (PT) defendeu a festividade, argumentando que a associação entre os blocos de Carnaval e a sexualização de menores é um equívoco. Ele criticou figuras políticas que, segundo ele, têm contribuído para a sexualização infantil.
“A verdade é que quem sexualiza crianças é o ex-presidente Bolsonaro que falou que pintou o clima com uma menina de 14 anos e foi condenado por isso. Quem sexualiza a criança é o prefeito do PL lá de Araucária, no Paraná, que casou com uma menina de 16 anos. O que não se discute é que 80% dos casos de violência contra as crianças acontece dentro de casa.”
Ferreira ressaltou que o Carnaval é uma parte fundamental da cultura brasileira, promovendo a identidade cultural de Campo Grande e do país. “O Carnaval é um evento que dá vida a um momento de identidade cultural de Campo Grande e de todo o Brasil. Um momento que reforça que a rua é para todo mundo ocupar e para todo mundo ser feliz”, afirmou.
Durante a sessão, Silvana Valu, representante do Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de Campo Grande (ABC), negou que a contratação de Valesca Popozuda tenha sido realizada com recursos públicos. Ela esclareceu que o show ocorrerá em um horário distinto da programação voltada ao público infantil.
“A atração que foi contratada veio com recurso próprio e vai se apresentar em um horário que não é destinado às crianças”.
A contratação foi feita pelo bloco Fora Folia, que destacou em suas redes sociais que a artista foi viabilizada por meio de uma parceria privada entre empresários do setor de entretenimento.
“É importante esclarecer que a contratação da artista Valesca Popozuda para o Carnaval de rua de Campo Grande foi viabilizada por meio de parceria privada, entre empresários do setor de entretenimento que acreditam na força e no potencial da festividade.”
“O Carnaval da capital é hoje reconhecido como um evento que movimenta a economia, impulsiona o turismo e fortalece a cultura local, gerando oportunidades, renda e visibilidade para a cidade. Viva o carnaval de Campo Grande!”
